Mademoiselle Zhivago: A obra de arte multicultural de Lara Fabian.

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De pai belgo e mãe italiana, Lara Fabian é a cantora e compositora mais famosa da Bélgica e uma das vozes mais lindas de todos os tempos. A artista poliglota – que é treinada em ópera – se viu em meio a culturas diferentes desde de muito nova, chegando a viver na Itália durante alguns anos. Com esse histórico culturalmente rico de nascença e sempre se mantendo de braços abertos ao novo e ainda desconhecido, Lara pôde absorver tudo isso e nos presentear, anos depois, com o ambicioso Mademoiselle Zhivago.


Lançado em 2010, Lara teve como o seu principal parceiro o produtor e compositor russo Igor Krutoy. O álbum contém músicas cantadas em italiano, francês, inglês, espanhol – línguas essas dominadas pela intérprete – e uma faixa em russo. Para completá-lo, fora feito um filme dirigido pelo também russo Alan Badoev que reunia clipes para todas as canções presentes no projeto aonde pode-se conferir outra face artística da cantora e, se a impressão unicamente romântica que ‘Love By Grace’ pode ter deixado nos brasileiros ainda existir, o POPlândia garante a sua surpresa ao revisitar hoje este magnífico trabalho.

“Toccami” é iniciada com uma melodia que remete ao flamenco, um gênero musical popular da cultura espanhola, mas o idioma escolhido para ser cantado é o italiano. A letra relata a paixão ardente entre dois amantes, com um refrão repetitivo aonde a interprete além de implorar pelo toque do seu amado a todo instante, pede para que ele fale uma língua que apenas ela é capaz de entender. No seu clipe, o significado da música é complementado; em uma fotografia obscura, Lara aparece em uma maquiagem poderosa, realizando leves, porém, artísticos passos de dança e rodeada de simbolismos religiosos, nos mantendo atento a toda proposta visual e fazendo com que esta música seja o primeiro grande destaque do álbum.



Exemplificando diferentes casos de amores, aonde se faz presente o mundo gótico em uma ponta e o mundo cinematográfico na outra, respectivamente, temos as excelentes “Madeimoiselle Hyde” e “Russian Fairy Tale” – com uma cantada em inglês e a outra em francês. Na primeira, nomeada em referência ao livro Strange Case of Dr. Jekyll and Mr Hyde, faz-se claro a forte presença da segunda fase do Romantismo, onde o amor inalcançável, descrito e sentido de forma exagerada, levava o eu lírico ao delírio podendo fazê-lo “morrer de amor”. Aqui, a atmosfera assemelha-se à “Toccami” mas a artista torna-se dessa vez a predadora e a coadjuvante enquanto o homem que a deseja é o protagonista que alucina por ela, em uma história de amor brutal e unilateral.



Já em “Russian Fairy Tale”, o amor finalmente ganha um significado mais leve ao ser correspondido de ambos os lados. Em uma melodia agradável de ser escutada, a sua voz relata uma lembrança inesquecível que pode ser comparada a um conto de fadas, pois fala de tempos mais simples daqueles que antecedem períodos históricos sangrentos e cada gesto cotidiano, vira algo poético de tão distante que agora é.



Para terminar os destaques, temos “Lou” – que leva o nome de sua filha – e, é cantada em italiano. Iniciada com um choro de criança seguida do som do riso da artista, o espaço logo é preenchido por uma melodia orquestrada e a voz de Lara aparece doce e potente nessa linda poesia.


Por ter sido um projeto visual, não houve trabalhos individuais de singles como estamos acostumados a ver, mas, ainda assim, Mademoiselle Zhivago configurou na lista dos mais vendidos na Rússia no ano de seu lançamento e o seu filme encontra-se completo no youtube, levando o mesmo nome do álbum.
Mademoiselle Zhivago: A obra de arte multicultural de Lara Fabian. Mademoiselle Zhivago: A obra de arte multicultural de Lara Fabian. Reviewed by Juliana Câmara on segunda-feira, março 04, 2019 Rating: 5