SIM: Vanessa da Mata é a personificação da alma versátil e poética do Brasil

Esta coluna tem como intuito resgatar grandes álbuns já lançados há um tempo para apresentá-lo ao um novo público ou relembrar à vocês o quão incríveis eles são. E, nada mais justo que a POPlândia dar início a essa nova era enaltecendo um dos melhores trabalhos de uma das maiores cantoras e compositoras brasileiras, a maravilhosa Vanessa da Mata com o seu intocável "Sim".

Após o estrondoso sucesso de "Ai, Ai, Ai...", Vanessa retornou ao cenário musical brasileiro em 28 de maio de 2007 com o seu terceiro álbum de estúdio nomeado simplesmente como Sim. Distanciando-se um pouco do seu trabalho anterior, Essa Boneca Tem Manual, a artista mato-grossense decidiu retornar aos seus primeiros anos de carreira e se envolveu com reggae, chamando para compor a equipe desse álbum a dupla de músicos jamaicanos Sly and Robbie. Dessa forma, ela adotou uma mistura mais intensa desse gênero com ritmos tipicamente brasileiros como o samba e que, somado a sua voz caracteristicamente suave e composições um tanto quanto poéticas e muitas vezes críticas - mesmo que envolvidas em doces batidas, não poderia ter tido outro resultado: Sim foi um sucesso de vendas ao contabilizar, atualmente, mais de 600 mil cópias vendidas, nos deu uma sucessão de hits que podem ser ouvidos nas rádios de todo o país até hoje e consolidou de vez Vanessa da Mata como uma importante artista para a nossa cultura.

"Vermelho" abre deliciosamente o álbum já em um clima dançante e onde já nos apresenta ao reggae que será explorado pela artista durante esta positiva viagem que iremos começar. A letra mística, acompanhada de uma melodia que parece nos transportar pelo universo chegou a ser single promocional lançado em 2008.
O primeiro single de trabalho de fato foi a bilíngue "Boa Sorte / Good Luck", parceria com o cantor norte-americano Ben Harper. A música relata o fim de um relacionamento, porém se diferencia de outras canções com esta temática por desprezar a tristeza e/ou ódio tão comuns em canções sobre término e por optar por uma melodia tranquila onde a voz de Vanessa e Ben passeiam e casam-se perfeitamente uma com a outra. Talvez por estas razões, a dupla tenha obtido enorme sucesso ao dar à sua intérprete e compositora um marco tão grande quanto o seu hit anterior, a contagiante "Ai, Ai, Ai..." e ao seu parceiro, um público um tanto quanto fiel no país.

O segundo single foi a linda balada "Amado", música essa que fez até mesmo Gilberto Gil chorar. Nela, Vanessa nos faz imaginar uma situação delicada de um amor platônico, não correspondido, mas que a pessoa por qual a intérprete suspira, não a deixa ir o que resta à ela ficar com a sua poesia idealizando cenários a dois e deixando o coração do ouvinte apertado com tanta tristeza e sensibilidade. E assim como "Boa Sorte / Good Luck", a artista colheu merecidos frutos com mais uma escolha certa dentro de um álbum cheio de encantamentos.

Outros pontos altos desse majestoso trabalho foram a divertida "Quando Um Homem Tem Uma Mangueira No Quintal", onde em um samba Vanessa se descontrai ao fazer analogias para falar sobre sexo casual;

A gostosa "Ilegais", onde - novamente - se faz clara a presença do reggae e ela, dessa vez, relata um relacionamento que acontece em segredo por alguma razão mas mesmo assim anseia descaradamente estar perto da sua cara metade;

Já na imaginativa "Pirraça", a compositora se diverte com palavras que apenas a língua portuguesa poderia nos presentear para falar da demora do tempo, a ansiedade gerada, criando imagens em nossas mentes com um refrão chiclete que cita doces típicos de algumas regiões brasileiras;

E uma das críticas fica por conta de "Absurdo", música essa que a intérprete fala sobre como a ambição humana destrói a natureza ao nosso redor, provocando desastres ambientais e crimes ecológicos que infelizmente está se tornando cada vez mais comum em âmbito nacional.

Para terminar a viagem, Sim é encerrado com a bela "Minha Herança: Uma Flor". Uma música de melodia lenta, feita em violão, onde a suavidade da voz de Vanessa cai como uma luva em uma composição que se comporta como uma verdadeira declaração de amor. A canção que também fora single promocional teve clipe, encerrando esta linda era em 12 de julho de 2010.

Devido ao seu grande sucesso, Sim ainda teve uma versão internacional com “Boa Sorte / Good Luck”, “Amado” e “Vermelho” regravados totalmente em inglês. O álbum rendeu à Vanessa o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro e foi feito CD/DVD Multishow Ao Vivo Vanessa da Mata com o mesmo molde do show da turnê que ela realizou para o trabalho, sendo gravado pelo canal na cidade de Paraty e lançado em 2009.

SIM: Vanessa da Mata é a personificação da alma versátil e poética do Brasil SIM: Vanessa da Mata é a personificação da alma versátil e poética do Brasil Reviewed by Juliana Câmara on segunda-feira, janeiro 28, 2019 Rating: 5