Área VIP: Madonna com 'Girl Gone Wild' na MDNA Tour


A 'MDNA Tour' é até hoje a segunda turnê feminina mais rentável da história, tendo arrecadado mais de 325 milhões de dólares (com valores de dólares de 2018). A nona turnê de Madonna começou em 31 de Maio de 2012, chegando a passar pelo Brasil, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Seu palco possuía telões altíssimos e móveis, além de várias plataformas que se elevavam, passarelas que se juntavam em uma ponta triangular, que também era capaz de se elevar.


A abertura da turnê e a performance de 'Girl Gone Wild' são simplesmente grandiosas, muito amadas pela maioria dos fãs. A faixa em si, o segundo single do álbum MDNA (que já analisamos, veja aqui), é um hino das pistas de dança super eletrônica, que flerta com o eurodance


A cenografia da abertura, baseada em uma catedral gótica, dita atmosfera sombria do primeiro ato, com direito a vitrais nos telões com uma grande cruz onde está escrito 'MDNA', sacerdotes (talvez uma referência aos três reis magos) cantando uma espécie de cântico medieval/monástico, com referências ao salmo 91 e a uma canção sacra em basco chamada 'Birjina Gaztetto Bat Zegoen', conhecida em inglês como 'Gabriel's Message'. Há também sacerdotes puxando uma corda, como se acionassem um sino da forma tradicional.


Há dançarinos em pedestais com máscaras e adereços demoníacos, representando gárgulas, que por sua vez simbolizam forças maléficas, tentações e almas condenadas, um objeto que tinha como o objetivo 'ameaçar' os fieis com imagens infernais. Nisso, um turíbulo (instrumento usado para dispersar fumaça de incenso) iluminado gigantesco passa pelo palco enquanto sobe, como se estivesse preparando a plateia para uma missa.


Então ouve-se um 'Oh my God' e aparece a voz de Madonna recitando a 'prece' inicial de 'Girl Gone Wild', que por sua vez é um pedaço da faixa 'Act of Contrition', do álbum 'Like a Prayer', que faz um crítica ao sistema de perdão e indulgência da igreja católica. Enquanto essa parte é recitada, os telões centrais se abrem e um confessionário suspenso desce lentamente, onde vemos a silhueta de Madonna ajoelhada e se benzendo, assim como os dançarino-sacerdotes com túnicas vermelhas, que esperam a cantora aparecer.


Então, contrariando a atmosfera de êxtase religioso que estava sendo construída, surge o barulho de vidro quebrado, enquanto os vitrais no telão se rompem e Madonna 'quebra' a parede do confessionário com a coronha de uma arma, saindo dela vestindo a versão preta de seu véu de casamento com Guy Ritchie, uma referência à 'viuvez' (não literal, obviamente). Sendo seu divórcio um dos maiores motivadores da raiva e do rancor contidos tanto no álbum MDNA quanto em sua turnê, era de se esperar que alguma alfinetada do tipo aparecesse.


Então Madonna revela seu figurino: uma roupa apertada e sensual baseada na personagem Varla do filme 'Faster, Pussycat! Kill! Kill!' (1965), enquanto seus dançarinos tiram as túnicas vermelhas e se revelam de saltos altos e calças super apertadas desenhadas pela grife Prada, desempenhando uma dança feminina bem sincronizada, performada por homens musculosos. O objetivo disso é questionar e 'confundir' o que a sociedade tradicionalmente aceita como masculino e feminino, algo que a cantora faz em quase todas as suas turnês. Inclusive, o terceiro ato da MDNA Tour se intitula 'Masculine/Feminine', e leva essa 'troca de papeis' mais a sério ainda.


Então temos uma coreografia super bem executada, que envolve inclusive as plataformas que se elevam do palco com placas de LED na frente até perto do final da música, quando trechos distorcidos de 'Material Girl' e 'Give It To Me' se mesclam à melodia de 'Girl Gone Wild' enquanto a cantora e os dançarinos performam de forma mais intensa e teatral. Nessa parte da música, que fala sobre arrependimento e 'pecados', o telão passa uma variedade de imagens presentes na simbologia cristão e pinturas (principalmente renascentistas e góticas) que tratam disso, por exemplo:


Acima: 'A Criação de Adão', Michelangelo, 1511
Abaixo, à esquerda: 'Dante e Virgílio no inferno', Bouguereau, 1850
Abaixo, à direita: 'O Juízo Final', Michelangelo, 1541

Área VIP: Madonna com 'Girl Gone Wild' na MDNA Tour Área VIP: Madonna com 'Girl Gone Wild' na MDNA Tour Reviewed by Wilson Barroso on sexta-feira, fevereiro 02, 2018 Rating: 5