Análise: Loreen conquista a Europa em 'Heal'


Nem sempre o festival Eurovision nos proporciona uma estrela tão completa e um single vencedor tão maravilhoso a ponto de chegarem com certa força ao outro lado do Atlântico. Mas 'Euphoria' conseguiu esse façanha em 2012, através da performance de Lorine Zineb Nora Talhaoui, uma sueca de descendência marroquina mais conhecia por Loreen, nascida em 16 de Outubro de 1983.

'Heal', lançado em 22 de Outubro de 2012, é disco de platina na Suécia, por ter superado 40 mil cópias vendidas por lá, além de ter alcançado posições respeitáveis em charts de vários países do continente, desempenho muito ajudado pelo estouro do hit 'Euphoria' no Festival Eurovision de 2012. Assim como essa faixa em si, este álbum europop traz para si o que havia de melhor em música eletrônia, trance e trip hop na época.  

Já em relação as letras, esse álbum traz mais do mesmo, faixas que falam sobre amor, coração partido e coisas similares. Mas, sendo um álbum feito para ser dançado e obrigatório da setlist de todos os DJs europeus da época, não podemos esperar letras espertas e geniais, pois esta não é a proposta do álbum. Porém, as letras comuns só podem ser perdoadas se as músicas forem bem produzidas, onde 'Heal' acerta em cheio

Veja nossa análise faixa a faixa:

1. In My Head
Quarto single da era, esta faixa estabelece a sonoridade do álbum logo de cara. Sua introdução é orquestrada, mas aos poucos os sintetizadores dance (que lembram uma música de video game) tomam sua posição em uma faixa que é ao mesmo tempo suave como uma balada e dançante como as farofas que amamos. Não ganhou um clipe digno, mas recebeu várias apresentações ao vivo.


2. My Heart Is Refusing Me
Segundo single da era, 'My Heart Is Refusing Me' é uma faixa dancepop mais clássica, sem tantos elementos trance. Ela tem uma percussão eletrônica maravilhosamente exagerada aliada a sintetizadores e um refrão muito dinâmico, além de efeitos e distorções muito bem dosados. O clipe tem uma paleta de cores frias e escuras, o que se relaciona com a letra, que fala sobre um coração partido, mas em nada com o ritmo, o que proporciona um contraste interessante.


3. Everytime 
Uma das canções mais acústicas do álbum, sua introdução com um piano distante dura tempo demais, até o teclado eletrônico tomar controle. Esta é mais uma balada sobre coração partido e, apesar de não ser uma faixa memorável, também não é exatamente ruim, pois há potencial para canalizar sentimentos que o dancepop das faixas anteriores não conseguem.

4. Euphoria
Hit, hit, hit. O primeiro single do álbum foi responsável por catapultar Loreen para a fama a nível continental e ajudou a estabelecê-la como uma das grandes promessas da música sueca. Apesar de ser uma canção dancepop mais tradicional, sua introdução mais lenta, refrão explosivo e batida bem marcada a transformam em um hino atemporal. O clipe começa escuro, mas vai ficando mais claro a medida que se desenvolve, mostrando Loreen cantando e dançando em um campo com mato alto.


5. Crying Out Your Name
Terceiro single de 'Heal', esta faixa começa com sintetizadores e distorções etéreas, logo ganhando camadas de sintetizadores dance e trip hop, explodindo em um refrão lindo, mesmo que não seja tão explosivo quanto em 'Euphoria', pois o contraste entre seus trechos anteriores é bem menor. Assim como 'In Your Head', não teve clipe, mas teve a promoção feita em cima de performances ao vivo.


6. Do We Even Matter
Bebendo das fontes do trip-hop, 'Do We Even Matter' é praticamente uma balada, com direito a refrão mais exigente com a voz de Loreen, sendo difícil de imaginar alguém a dançando. Tem uma boa melodia, com sintetizadores muito suaves e percussão lenta, mas não é do tipo que se ouve repetidamente.

7. Sidewalk
Começando com uma percussão eletrônica leve, essa faixa logo se orienta para o dubstep, contando com sintetizadores oníricos. No entanto, ao contrário do que leva a crer, ela se aproxima mais do pop radiofônico do que do dancepop propriamente dito, exceto pelo breakdown perto da metade.

8. Sober
Uma espécie de 'pré-single' do álbum, essa faixa foi lançada em 2011, antes mesmo da cantora estourar por causa do Festival Eurovision. Com versos quase sussurrados, esta faixa soa surpreendentemente moderna, com sua batida de sintetizadores rascantes que esperaríamos ouvir hoje em dia.

9. If She's The One
Mais uma vez, uma faixa do álbum se inicia com orquestração, os sintetizadores logo aparecem, fazendo com que 'If She's The One' se torne o meio do caminho entre o dancepop sintético e o R'n'B levemente orquestrado. Não é ruim, mas também não é uma das faixas que vão fisgar o ouvinte.

10. Breaking Robot
Uma das pérolas do álbum, um presente para quem ouviu o álbum até a parte final, esta faixa começa com sintetizadores minimalistas, mas logo o batidão eletrônico se instaura em camadas sucessivas, temperada por distorções robóticas muito bem colocadas e bateria mais orgânica. Com certeza teria sido um single fenomenal.

11. See You Again
A introdução meio boba dessa música não dá pista do quão contagiante a melodia dessa música se torna. Com sintetizadores de vários tipos aliados a bateria e guitarra, essa faixa promete grudar na sua cabeça, por causa de seu refrão. Mas mesmo tendo um grande apelo comercial, não foi escolhida para promover o álbum.

12. Heal
Fechando o álbum, Loreen entra em um clima mais sombrio e ligado ao trip hop. Com sintetizadores etéreos que a percorrem por inteiro, camadas adicionais de instrumentação são adicionadas bruscamente à melodia, sem deixar que ela perca seu clima melancólico. É um encerramento inesperado e equilibrado, fechando muito bem o álbum homônimo.


Análise: Loreen conquista a Europa em 'Heal' Análise: Loreen conquista a Europa em 'Heal' Reviewed by Wilson Barroso on domingo, janeiro 14, 2018 Rating: 5