Análise de clipe: Europa, de Mónica Naranjo


Veja nossa resenha deste álbum: Tarántula (2008)

O álbum 'Tarántula' marcou o fim de um hiato de cinco anos e a conclusão de uma história que tem suas raízes no fim dos anos noventa. Em 1997, Mónica Naranjo havia lançado o álbum 'Palabra de Mujer', um sucesso absoluto que vendeu mais de 2,3 milhões de cópias apenas na Espanha e no México. Tais números fizeram a gravadora de Mónica pressioná-la a publicar um álbum no mesmo estilo, mesmo contra a vontade da cantora, que acabou cedendo em 2003, com o álbum 'Chicas Malas', que não teve o êxito necessário.

Até que em 2008, Mónica lançou 'Tarántula', um álbum onde a cantora retoma sua integridade e independência artística, com uma sonoridade que mescla perfeitamente a orquestra com os sintetizadores techno. E no lead-single do álbum, o magistral 'Europa', lançado em 18 de Março de 2008, a cantora conta sua história, comparando-a com a do próprio continente europeu na época da Segunda Guerra Mundial, denunciando as pressões que a mídia e a indústria fonográfica tentavam aplicar sobre ela.


O clipe começa com uma melodia orquestral e Mónica vestida como uma grande diva da ópera, visual inspirado em Maria Callas. Em um campo devastado pela guerra, repleto de caveiras e poeira, canta-se com nostagia, lembrando de um passado onde a cantora era adorada, ou seja, a era 'Palabra de Mujer'. Logo em seguida, parece que estamos em outro clipe: a sonoridade passa subitamente da orquestra para o techno repleto de sintetizadores.

Neste trecho, a cantora levanta de uma espécie de túmulo, e uma nova estética aparece aos poucos, similar ao BDSM, com muito couro e pessoas com rostos cobertos. Mónica está vestida como uma espécie de zumbi louco, com camisa de força e tudo, tendo seus movimentos controlados e vigiados por homens sem rosto, uma referência às pressões da mídia e da indústria fonográfica que a cantora sofria entre as eras 'Palabra de Mujer' e 'Chicas Malas'. Também aparecem mais referências à Segunda Guerra Mundial na letra, como as bombas, a solução final e a águias de terror (alcunha da Luftwaffe, a força aérea nazista).

Na segunda metade, as duas identidades sonoras e visuais se mesclam, e surge uma terceira Mónica, vestida como uma guerreira, de vinil vermelho e cabelo preso, que em certos trechos parece comandar a o exército de homens sem rosto. Esta são a Europa de hoje e a Mónica da era 'Tarántula': mais fortes do que antes, independentes e superiores às pressões externas. No final, as duas primeiras 'Mónicas' são postas em seus lugares, e o tecido onde a face de Mónica estava exposto é destruído, reforçando a nova atitude da cantora.
Análise de clipe: Europa, de Mónica Naranjo Análise de clipe: Europa, de Mónica Naranjo Reviewed by Wilson Barroso on quarta-feira, dezembro 06, 2017 Rating: 5