Análise: Lara Fabian mostra seu poder de reinvenção em 'Camouflage'


Com mais de 13 milhões de cópias vendidas mundialmente, Lara Fabian é a cantora belga que mais vendeu discos no mundo. Apesar de seu impacto gigante no pop europeu, principalmente na Europa Central, a cantora não tem um peso proporcionalmente grande nos Estados Unidos e no Brasil, sendo conhecida principalmente por um ou outro hit de impacto global, como 'Love by Grace' e 'Broken Vow'.

'Camouflage', seu primeiro álbum em inglês desde 2009, foi lançado em 6 de Outubro de 2017, e mostra Lara mais ousada, se aventurando um pouco mais para fora de seu comum, de baladas orquestradas e cantadas magnificamente. Mas isso não significa que este seja um álbum totalmente synthpop ou electropop, muito pelo contrário, a essência clássica da cantora está mantida. 

No geral, é um trabalho bastante diversificado. Cada faixa é bastante particular dentro do contexto deste álbum, representando cada uma das novas cores de Lara, mostrando que a cantora, no alto de seus 47 anos de idade, não ficou datada nem perdeu seu frescor, mesmo após tanto tempo sem lançar um álbum integralmente cantado em inglês.

Veja nossa análise faixa a faixa:

1. Growing Wings
O lead single do álbum traz a voz de Lara um pouco mais contida do que esperaríamos para um comeback tão aguardado. Com a melodia dominada por piano e bateria, essa faixa tende um pouco ao jazz em algumas passagens. Apesar de ser belíssima, as rimas não são muito boas, de modo que sua escolha para lead single é um tanto questionável. O clipe tem uma maravilhosa fotografia em cores frias, intercalando cenas de Lara cantando e outras de um dançarino interpretativo.


2. Chameleon
Aqui é onde a reinvenção fica escancarada. Com sintetizadores e instrumentos de sopro, esta faixa é bastante inesperada e elegante, gritando para ser single. A letra, como o nome sugere, fala sobre versatilidade e capacidade de se transformar, super adequada ao conceito do álbum em si. A voz distorcida de Lara perto do final dá refinamento e classe a esta faixa.

3. If I Let You Love Me
Ainda com sintetizadores raros na discografia de Lara, a melodia dessa música começa discreta, crescendo levemente ao longo da faixa, mas sem se tornar barulhenta nem esconder a maravilhosa voz de Lara, que apesar de não cometer nenhum exagero, está clara e deliciosa. A letra fala sobre entrega e compromisso no amor, além das dúvidas e relutâncias envolvidas.

4. Choose What You Love Most (Let It Kill You)
Se aproximando do estilo clássico da cantora, essa faixa é mais orquestrada do que as anteriores, mas sem dispensar os sintetizadores empregados nessa era, que convivem com violino, piano e a explosão vocal de Lara no refrão, que lembra vagamente 'Broken Vow', sendo um refresco para os fãs mais saudosos das eras anteriores. O segundo single do álbum fala sobre sofrimento no amor, uma espécie de desfecho pessimista de 'If I Let You Love Me'. Seu clipe é um complemento de 'Growing Wings', com a mesma fotografia em cores frias, mostrando Lara cantando e tocando piano em um campo.


5. We Are The Flyers
A faixa mais acústica até agora tem sua melodia governada por violão, com sintetizadores e estalos de dedo para acompanhar. 'We Are The Flyers' é suave e acolhedora, que vê o fim de um relacionamento de uma forma mais sarcástica do que a música anterior.

6. Painting in the Rain
Com percussão em destaque e uma melodia mais orquestrada, que parece um pouco oriental perto do refrão, 'Painting in the Rain' parece encerrar o ciclo começado em 'If I Let You Love Me', falando sobre esperança no amor depois de um término tumultuoso, onde 'pintar na chuva' é uma metáfora para tentar ser feliz no amor apesar das decepções.

7. Camouflage
Na faixa que dá nome ao álbum, Lara traz seu estilo clássico com toda a força. A melodia, altamente orquestrada, traz violinos e piano (e eventual bateria) em uma balada que fala sobre esconder sentimentos e a coragem que se precisa ter para expô-los para as outras pessoas. 'Camouflage' inicia o segundo ciclo de músicas do álbum, que expõem o lado mais sensível e frágil de Lara.

8. I'm Breakable
Com a melodia baseada em piano e sintetizadores, que no começo são etéreos e suaves, essa faixa tem a batida bem marcada pelas notas de Lara e pelos estalos de dedo que aparecem de vez em quando. Como o nome sugere, ela fala sobre as fragilidades e os medos da cantora.

9. Keep the Animals Away
Rebatendo 'I'm Breakable' e complementando 'Camouflage', essa faixa fala sobre como dividir os sentimentos ajuda a nos fortalecer, mantendo os 'animais' (medo, insegurança, ansiedade, angústia, etc) afastados. Para isso, ela utiliza uma melodia governada por bateria e violão, além dos sintetizadores suaves, tendendo um pouco ao pop rock.

10. We Are The Storm
A união faz a força, e é disso que essa música se trata, da forma que como as pessoas unidas conseguem vencer problemas que parecem grandes demais. Encerrando o ciclo começado em 'Camouflage', esta faixa alia piano, bateria e os sintetizadores mais rascantes até agora, formando uma melodia que traz elementos do trip hop e do soft rock.

11. Perfect
Clássica e deliciosa, com piano e sintetizadores trip hop logo antes e durante o refrão, essa faixa cai no clichê de se declarar dizendo que ninguém e perfeito, mas basta se entregar para fazer as coisas funcionarem.

12. Communify
Com sintetizadores maravilhosos e os instrumentos de sopro usados em 'Chameleon', essa faixa finaliza o disco em grande estilo. Gostosa e suave, 'Communify' fala sobre dificuldades de comunicação em um relacionamento.


Análise: Lara Fabian mostra seu poder de reinvenção em 'Camouflage' Análise: Lara Fabian mostra seu poder de reinvenção em 'Camouflage' Reviewed by Wilson Barroso on domingo, dezembro 03, 2017 Rating: 5