Muito além de 'Wuthering Heights'

Veja nossas resenhas dessa artista:
Hounds of Love (1985)

Kate Bush é uma das cantoras mais importantes do Reino Unido, pelo pioneirismo, letras poéticas, arte difusa em seu trabalho e coragem de afrontar um meio tão preconceituoso quanto a indústria fonográfica em plenos anos 70. Ela ficou conhecida mundialmente pelo hit 'Wuthering Heights', que causou estranheza em algumas pessoas por causa do timbre agudo e coreografia experimental da novata. Apesar disso, a cantora é uma das grandes bases da música mundial, principalmente do pop alternativo, sendo uma inspiração profunda de artistas como Florence Welch, Jonna LeeBjörk e Grimes.

A POPlândia escolheu sete faixas dessa divindade da música para mostrar que, apesar de Kate ser uma cantora elusiva e não muito falada hoje em dia, ela merece todo o reconhecimento e reverência.

1. The Man With The Child In His Eyes (The Kick Inside, 1978)
Presente no primeiro álbum da cantora, gravado quando a mesma tinha apenas 16 anos, essa faixa já mostra que o timbre excessivamente agudo de 'Wuthering Heigts' não seria o padrão. Nessa balada de piano e violino, Kate mostra toda a beleza de sua voz, ainda aguda e muito própria.


2. Kashka from Baghdad (Lionheart, 1978)
É preciso ter ousadia e coragem para falar sobre homossexualidade em plena década de setenta. Essa música fala sobre um casal gay obrigado a manter seu amor em segredo, mas obviamente de forma implícita. O fato de ser uma faixa orquestrada pode ser uma barreira para algumas pessoas, apesar da melodia de bateria, piano e baixo ser tão bem executada e um pouco nostálgica.


3. Breathing (Never For Ever, 1980)
Nos anos oitenta, o mundo vivia com medo constante de um conflito nuclear, num contexto de Guerra Fria. E com tão pouco tempo de carreira, Kate ousou tocar no assunto em uma balada dominada por piano e sintetizadores suaves e primitivos (aliás, Kate foi uma das primeiras cantoras a usar sintetizadores). A faixa se situa num mundo submetido a explosões atômicas e terror radioativo, do ponto de vista de um bebê ainda no útero, relutante a nascer em mundo assim.


4. The Dreaming (The Dreaming, 1982)
Essa é uma faixa super experimental e exótica presente num álbum tão experimental e exótico quanto. 'The Dreaming' fala sobre a destruição das terras dos aborígenes australianos em nome da mineração, utilizando um instrumento típico desse povo chamado 'didgeridoo' em companhia de sintetizadores, bateria e backing vocals. Kate Bush mais uma vez mostra seu pioneirismo ao ser uma das primeiras cantoras a distorcer a voz de forma tão intensa.


5. Running Up That Hill (A Deal With God) (Hounds of Love, 1985)
lead single e maior hit do álbum é uma canção a frente de seu tempo, abordando o feminismo pelo viés da empatia. Seu maior argumento é de que se homem e mulheres trocassem de lugares, eles se tratariam com mais igualdade, sem sexismo. A canção cresce devagar, com uma batida em bateria que parece um galope. Logo a balalaica e os sintetizadores se juntam ao instrumental, que envolvem essa canção midtempo de uma forma muito gostosa. O clipe mostra Kate e o dançarino Michael Hervieu em uma peça de dança representativa, vestidos com hakamas orientais. Também mostra um correndo no sentido oposto de uma multidão vestindo máscaras com o rosto do outro.


6. The Sensual World (The Sensual World, 1989)
Começando com sinos de igreja e abrindo o álbum, essa faixa suave se inspira no monólogo de Molly Bloom, do romance 'Ulysses', de James Joyce, encantada pelas sensações do mundo real ao sair de seu mundo cinzento e bidimensional das páginas do livro. Para isso, a melodia ganha bateria, sintetizador e baixo, além de instrumentos irlandeses típicos, honrando a ascendência de Kate e o país natal de Joyce.  


7. King of the Mountain (Aerial, 2005)
Após um hiato de doze anos, dedicados à criação de seu filho, o comeback de Kate era muito aguardado, e apesar de ter gerado apenas um single, foi muito bem sucedido para os padrões de Bush. Ela toca na teoria de que Elvis Presley ainda estaria vivendo anonimamente em algum lugar, citando as pressões extremas da fama e da riqueza, muito apropriado após um hiato tão grande. Com direito a sintetizadores, baixo e percussão, a melodia dessa canção sintetiza bem a sonoridade do álbum, que tem um conceito estético muito robusto e consistente.


Muito além de 'Wuthering Heights' Muito além de 'Wuthering Heights' Reviewed by Wilson Barroso on quinta-feira, novembro 30, 2017 Rating: 5