Muito além de 'Crucify'


Myra Ellen Amos, conhecida mundialmente como Tori Amos, é uma cantora, compositora e pianista americana, uma das personagens mais importantes da cultura pop do anos noventa, principalmente no nicho grunge e alternativo, chegando mesmo a ter feito uma turnê conjunta com a grande Alanis Morissette em 1999, para promover os álbuns 'To Venus and Back' de Tori e 'Supposed Former Infatuation Junkie' de Alanis.

Com quinze álbuns lançados, sem contar sua participação na efêmera e mal-sucedida banda Y Kant Tori Read, a cantora não é mais tão popular como costumava, mas nunca deixou de fazer música boa. A POPlândia escolheu sete delas para você relembrar ou descobrir uma das pianistas mais talentosas dos Estados Unidos.

1. Tear in Your Hand (Little Earthquakes, 1992)
Presente no legendário 'Little Earthquakes', escolhido em 2002 como o quarto melhor álbum feminino da história pela revista especializada Q, essa faixa excelente passou despercebida, ofuscada por hits como 'Crucify' e 'Silent All These Years'. 'Tear in Your Hand' alia as habilidades em piano de Tori com o complemento instrumental do soft rock, como guitarra, baixo e bateria. E em um álbum que traz temas densos como abuso sexual e religiosidade, essa faixa é uma das poucas suaves, falando ao mesmo tempo de vários estágios de um término, desde a tentativa de manter o relacionamento até o momento em que se percebe que o rompimento é inevitável.


2. Past the Mission (Under the Pink, 1994)
O tema do abuso sexual sofrido pela cantora já foi explorado em algumas faixas de 'Little Earthquakes', mas esse tipo de demônio demora para ser exorcizado. Em 'Past the Mission', Tori retoma esse episódio traumático, mas com o objetivo de se livrar do clichê de vítima e tentando reagir a isso. Essa faixa é basicamente composta por piano e bateria, além dos vocais complementares de Trent Reznor, vocalista da banda de rock industrial Nine Inch Nails.


3. Caught a Lite Sneeze (Boys for Pele, 1996)
Após o término com Eric Rosse, namorado e produtor de Tori havia muito tempo, muitas coisas precisavam ser discutidas. E isso foi feito nesse álbum praticamente conceitual, que trabalha com as relações de Tori com os homens e com a masculinidade. Essa faixa, que foi a primeira na história a ser disponibilizada para download gratuito na internet, toca no término em si e na tentativa de manter um relacionamento mesmo sabendo que ele acabou. Sua melodia é composta por bateria, piano e cravo, que dá um ar meio renascentista a algumas partes da música. Seu clipe é bastante surreal e onírico, lindo de se ver.


4. Spark (From the Choirgirl Hotel, 1998)
Esse álbum, um dos melhores da cantora, traz a ideia de um lugar imaginário onde as músicas 'vivem', chamado 'Choirgirl Hotel'. E a faixa escolhida para inaugurar sua promoção fala sobre a forma que os abortos espontâneos que Tori havia sofrido a mudaram, principalmente no que se refere ao sentimento de culpa. Ao contrário do que costumava fazer, Tori baseou a instrumentação dessa música em bateria e guitarra, mas deixando o piano brilhar no refrão, que é simplesmente lindo, assim como o breakdown perto do final.


5. Concertina (To Venus and Back, 1999)
O nome da faixa se refere ao instrumento musical concertina, similar a um acordeão, utilizado como metáfora para a experiência de timidez e desconforto em um ambiente social, confrontando o sentimento interno de desespero com a calma aparente. Essa dualidade aparece também na instrumentação, que traz o piano característico de Tori em contraste com sintetizadores e bateria eletrônica. Infelizmente não ganhou clipe oficial.


6. A Sorta Fairytale (Scarlet's Walk, 2002)
Este álbum conceitual conta a história de Scarlet, alter-ego de Tori, em uma viagem pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de Setembro. Essa faixa tende ao jazz, onde o piano e bateria se aliam de forma mais comercial do que o resto do álbum. A temática da música não é exata, mas a maioria dos fãs a associa com a descoberta do amor, ideia que é reforçada pelo clipe, que mostra duas pessoas fisicamente incompletas que só se tornam completas depois de se encontrarem e se entenderem.


7. Reindeer King (Native Invader, 2017)
Após alguns álbuns menos comerciais, como 'Night of the Hunters' (2011), que traz versões complementadas de variações e atos da música clássica, o mais recente trabalho de cantora foi responsável por trazer a Tori do começo da década de noventa de volta. 'Reindeer King' é uma balada dotada de uma melodia de piano maravilhosa, falando sobre como o ser humano se separou da natureza e, portanto, se separou de si mesmo.


Muito além de 'Crucify' Muito além de 'Crucify' Reviewed by Wilson Barroso on terça-feira, novembro 21, 2017 Rating: 5