Análise de clipe: City of Love, de Mylène Farmer


Veja nossa resenha deste álbum: Interstellaires (2015)

O álbum 'Intertellaires', de 2015, traz um conteúdo mais acústico e com apelo mais internacional do que álbum anterior da cantora, o eletrônico 'Monkey Me', de 2012. O trabalho, além da parceria com o lendário Sting na faixa 'Stolen Car', ainda traz várias produções de Martin Kierszenbaum, famoso por trabalhar com Lady Gaga.

Seu segundo single, 'City of Love' foi lançado em 8 de Janeiro de 2016, e expressa melhor o conceito do álbum do que 'Stolen Car'. Resumindo, o foco do álbum é tratar do quão minúsculo e insignificante é o ser humano, comparado à grandeza do universo, e a forma com que o amor é a única coisa nos faz ter algum valor nessa vastidão toda.


Esta canção midtempo, um pop delicioso e uma leve tendência ao reggae em algumas partes, foca na validade de todas as formas de amor. Para melhor exibir essa ideia, o clipe da canção é baseado na estética do grande diretor de suspense e terror Alfred Hitchcock, trazendo a atmosfera sombria de uma noite de tempestade em uma mansão assombrada. Quem assiste se situa mais facilmente ao ouvir um rádio, quase parando de funcionar, falando sobre a tempestade e os ventos que derrubaram as aves do céu (aliás, não só as aves...).

Uma criatura indefinida, uma espécie de alien-dragão-demônio, também foi derrubada do céu. Ela procura abrigo nessa mansão, acabando por explorá-la. As cenas da exploração são intercaladas com cenas da criatura ajoelhada, com as asas furadas, olhando com certo desespero para o céu de onde caiu. 

Ao caminhar pela mansão, a criatura se depara com vários objetos que expressam um certo padrão para o que o amor 'deveria' ser, como uma estatueta de dois amantes se beijando, retratos ou modelos anatômicos da espécie humana. Até que em dado momento, ela encontra um manequim articulado de madeira, que a princípio causa susto e em seguida curiosidade na criatura, até que ela acaba se 'apaixonando' por ele, terminando o clipe abraçada com o manequim e com um sorriso no rosto. O clipe abusando da metalinguagem: o clipe está sendo exibido em terceira pessoa, através de um projetor.

Um casal composto por uma criatura alada e um manequim de madeira com certeza é algo bastante exótico e incomum. Mas isso faz com que o amor deles seja inválido ou antinatural? Não! E é isso que o clipe quer mostrar, não importa o quão incomum o amor se mostre, ele sempre é válido. Extrapolando para vida real, o casal do clipe pode ser um símbolo para todos os arranjos amorosos diminuídos e marginalizados pela sociedade, como casais homossexuais, transexuais ou grupos poliamorosos.

Análise de clipe: City of Love, de Mylène Farmer Análise de clipe: City of Love, de Mylène Farmer Reviewed by Wilson Barroso on quarta-feira, novembro 29, 2017 Rating: 5