Por que amamos tanto o pop americano entre 2009 e 2013? (ou Por que tanta gente não gosta do pop atual?)


É praticamente uma unanimidade: quase todos os fãs de cultura pop adoram o período entre 2009 e 2013. Da mesma forma, a maioria considera o pop dos últimos dois ou três anos bastante fraco, principalmente se comparado com outras épocas. Mas por que?

Não se pode falar de história da música sem falar de nostalgia. As pessoas em geral tem uma tendência de achar épocas anteriores muitos melhores que a atual, independente da qualidade das duas. Ou seja, daqui a três ou quatro anos, provavelmente você vai sentir falta do cenário pop atual, isso sem contar que pop vigente durante a adolescência de uma pessoa sempre será marcante para ela. Mas isso é um mero detalhe, longe de ser o motivo mais importante.

Muitas pessoas torcem o nariz para a expressão 'álbum conceitual'. E dá pra entender, de uns anos para cá vários álbuns foram propagados como conceituais, e isso não é necessariamente ruim. O problema é não fazer isso direito.

Nos últimos anos, os álbuns conceituais do pop americano tem sido mal amarrados. O conceito geralmente fica presente na capa e em duas ou três faixas, enquanto o resto do álbum se perde e se afasta da ideia principal, seja ela temática ou simplesmente estética. Por exemplo, o álbum 'Anti' (2016), de Rihanna, é um ótimo álbum dancepop, como muitos na carreira da cantora,  mas não conseguiu ter o conceito alternativo, anti-pop e anti-mainstream que tanto foi propagado.

Por outro lado, entre 2009 e 2013, muitos álbuns carregavam um conceito robusto e uma coesão muito bem afinada sem basearem sua promoção nisso. Ou seja, conseguiram ser conceituais sem prometer, enquanto ultimamente a maior parte desses álbuns promete conceito, sem cumprir. Um bom exemplo é 'The Fame Monster' (2009), de Lady Gaga, que sem basear sua promoção em conceito, conseguiu trazer muito bem a ideia do lado negativo da fama, tudo amarrado em uma estética bastante coesa e particular.

Não podemos esquecer a onda conservadora que tem atingido o mundo, não apenas na política, mas também na música. O EDM (electronic dance music) e a cultura das divas é algo muito ligado à cultura LGBT, e num contexto de conservadorismo crescente, artistas e gravadoras acharam como solução comercial focar em ritmos mais 'hétero' e conservadores, como o country e reggaeton, que nem todos os fãs de cultura pop apreciam. Daí vem álbuns como 'Joanne' (2016), 'Younger Now' (2017) e Rainbow (2017).

Em geral, os artistas que bateram o pé e não se curvaram a esses ritmos infelizmente tem amargado números ruins em comparação a seus trabalhos anteriores, principalmente por terem a promoção de seus álbuns negligenciada por suas gravadoras. como foi o caso de Madonna em 'Rebel Heart' e Kylie Minogue em 'Kiss Me Once'.

Isso sem citar que entre 2009 e 2013 as grandes divas do pop estavam com sangue nos olhos, se reinventando. Praticamente toda semana tinha um lançamentos super esperado (e alguns realmente icônicos) de algumas delas, tudo sempre muito teatral e grandioso, ao contrário da tendência minimalista e acústica do cenário atual. Bons tempos...

Mesmo nessa situação, o pop não está tão ruim assim, pois vários álbuns realmente bons tem sido lançados nos últimos anos. Mas se você continua achando que o pop americano está horrível, lembre-se de que o pop europeu sempre é uma opção.

E se mesmo assim você ainda está chateado, lembre-se de que o pop, como tudo na vida, é cíclico. Hoje o EDM e as divas pop não estão no auge, como há alguns anos, mas nada impede que daqui a um tempinho eles voltem em toda sua glória. A vida e a música são feitas de altos e baixos, e mais cedo ou mais tarde essa época de 'vacas magras' vai acabar. Can I get an amen?

Por que amamos tanto o pop americano entre 2009 e 2013? (ou Por que tanta gente não gosta do pop atual?) Por que amamos tanto o pop americano entre 2009 e 2013? (ou Por que tanta gente não gosta do pop atual?) Reviewed by Wilson Barroso on sexta-feira, outubro 27, 2017 Rating: 5