Emmelie de Forest invoca os sons da floresta em 'Only teardrops'


Emmelie de Forest tinha tudo para ser mais uma cantorazinha regional, reduzida a pequenos festivais de música e eventos locais, caso não houvesse vencido o festival/concurso musical mais importante da Europa, quiçá do mundo.

Emmelie Charlote Victoria de Forest nasceu em Randers, Dinamarca, em 28 de Fevereiro de 1993, e até 2012 era uma cantora local, que se apresentava ao redor do país com canções próprias e reinterpretações de folk dinamarquês. E teria continuado a fazer isso, caso não houvesse vencido a 58ª edição do Festival Eurovision de Canção com a faixa ‘Only teardrops’, apresentando seu trabalho para mais de 125 milhões de pessoas ao redor do planeta. Esse sucesso permitiu que a jovem cantora assinasse seu primeiro contrato musical grande, com a Universal Music Denmark.

‘Only teardrops’ foi lançado em 6 de Maio de 2013 e teve um sucesso considerável, chegando ao top 10 dos charts de vários países e à primeira posição nos da Dinamarca por várias semanas, obtendo disco de ouro em seu país natal. Parece pouco se tratando de pop internacional, mas são números muito bons para uma artista tão regional quanto esta, ainda mais sabendo que ela compôs total ou parcialmente a maioria das músicas de ‘Only teardrops’.

As canções deste álbum têm uma grande influência do folk nórdico, a raiz mais importante da música dinamarquesa. E tendo o sopro de seus ancestrais vikings, Emmelie infunde instrumentos folclóricos e melodias florestais em suas canções, mas sem que eles dominem a instrumentação, de modo que este ainda é um álbum de pop europeu da mais alta qualidade, com influências discretas de teen pop.

Duas vertentes musicais tão diferentes podem dar certo? Emmelie mostra que sim.

Veja nossa análise faixa a faixa

1. Teardrops ouverture
O álbum começa com um prelúdio que dura menos de um minuto, sendo apenas a versão orquestrada, majoritariamente composta por violinos, de um pedaço da melodia da canção ‘Only teardrops’.

2. Hunter & prey
Segundo single do álbum, ‘Hunter & prey’ começa com uma vocalização, lembrando de longe as vocalizações de pastoreio da cultura viking. Com sons discretos de passarinho no começo, a canção logo recebe uma batida bastante orgânica que se assemelha a palmas e instrumentos adicionais no refrão. Apesar de todo esse aparato, não parece uma música folk.

A letra tem um assunto simples, sendo uma canção de amor bem delicada, cheia de referências à natureza e às florestas, que são representadas no clipe da canção, que conta com uma fotografia belíssima, alternando cenas de Emmelie cantando com um casal de crianças descobrindo o amor de forma muito inocente.


3. Change
Uma das canções mais dance do álbum, ela traz sintetizadores desde o começo, além de bateria e teclado eletrônico. Tem certa tendência para o teen pop, e o único som de floresta é trazido por uma flauta discreta que toca em algumas partes.

Essa canção lida com a tentativa de sufocar um sentimento que o eu-lírico começa a ter, em nome de se manter como é: livre e sem apego a ninguém específico.

4. Only teardrops
Canção responsável por catapultar Emmelie no cenário musical e lead single do álbum homônimo, ela já começa com uma flauta de Pã, além de uma batida orgânica composta de bateria e teclado. A percussão explode no refrão, que é muito gostoso e mostra que a vitória no festival foi mais que merecida. Para ver a final do festival clique aqui.

A letra fala sobre um término e toda a lavação de roupa suja envolvida. O clipe alterna Emmelie cantando de camisola em uma floresta linda, daquelas de filme, com cenas dela gravando em estúdio.


5. What are you waiting for?
Se aproximando de uma balada, a voz de Emmelie supera o instrumental, que é bastante orquestrado, composto principalmente por violoncelo no gancho e percussão no refrão. É, provavelmente, a canção do álbum mais palatável pro público americano.

A letra, como nome sugere, fala sobre um tipo de impasse, no qual nenhuma das partes do casal toma a iniciativa e ir adiante e começar algo que poderia se tornar um relacionamento.

6. Haunted heart
Essa canção começa com bateria e teclado eletrônico, que dominam a música inteira, exceto durante o refrão, onde uma melodia de violino de fundo pode se sobressair. Seja como for, não é uma das faixas memoráveis do álbum.

A letra lida com o fim do relacionamento, onde o eu-lírico ainda sente saudade do parceiro e o compara a um fantasma que aparece para ele durante a noite.

7. Force of nature
Essa faixa é uma balada composta de voz, violino e piano, e apenas perto do fim surge percussão. É uma canção de amor calma e delicada, tocando direto no coração. Apesar de não trazer instrumentação folk, as referências à natureza estão nas metonímias e metáforas que ela utiliza ao longo do texto, além do próprio título da música.

8. Beat the speed of sound
Essa é outra canção palatável para o pop americano. Ela conta com duas camadas de vocalização da cantora, além de teclado, sintetizador, violino e a flauta típica do folk em pedaços selecionados. Nessa faixa se usa muito o recurso de aumentar o tom da voz da cantora em versos curtos sucessivos.

Essa é mais uma canção de amor recheada de referências à natureza. Com certeza daria um clipe com uma linda fotografia.

9. Soldier of Love
Essa canção é altamente orquestrada, apesar de sua introdução discreta dizer o contrário. A percussão se assemelha à de uma marcha militar, e acompanha lindamente piano e bateria na instrumentação. O refrão é explosivo e mostra toda a potência vocal de Emmelie.

A canção fala sobre um rompimento, onde apesar do aparente final, o eu-lírico ainda pretende lutar por seu amor (o que é potencialmente problemático).

10. Running in my sleep
A décima faixa é mais delicada em relações às outras, priorizando piano e xilofone no início (deixando a faixa similar a uma canção de ninar nessa parte), até o refrão explodir com a aceleração da batida e a entrada de bateria e outros instrumentos, falando sobre sonhos de uma forma bastante otimista, tocando em sua capacidade dele de proporcionar uma forma de escapar da realidade.

11. Let it fall
Aqui chegamos ao fim das faixas inéditas do álbum, com a música mais sombria do trabalho, se é que é possível dizer isso. A melodia é um pouco mais pesada, aliando sintetizadores a violino e bateira, além das palmas. Já sua letra é bastante figurada, mais estética do que semântica, parecendo falar sobre fama e sobre como há coisas mais importantes, que permitem que o eu-lírico fuja de suas partes negativas.

12. Only teardrops (symphonic version)
Essa faixa nada mais é que a versão sem sintetizadores da faixa-título do álbum, algo que estaria melhor posicionado em um CD-single, pois o termo ‘only teardrops’, além da faixa em si, já estão repetitivos, pois estão no título do álbum, em parte do prelúdio e na faixa em si, de modo que uma versão sinfônica é dispensável.

Letra: 5,5
Melodias e instrumentação: 8,0
Vocais: 7,5
Videografia: 5,5
Identidade visual: 7,0
Nota final: 6,7


Emmelie de Forest invoca os sons da floresta em 'Only teardrops' Emmelie de Forest invoca os sons da floresta em 'Only teardrops' Reviewed by Wilson Barroso on domingo, agosto 06, 2017 Rating: 5