Mónica Naranjo quebra as correntes em "Palabra de Mujer"


Veja nossas análises anteriores desta artista:

Mónica Naranjo é considerada uma das maiores estrelas da música espanhola, angariando uma legião de fãs fervorosos e mais de nove milhões de discos vendidos mundialmente, principalmente na Espanha e no México.

Nascida em 23 de Maio de 1974 em Figueras, Espanha, Mónica é conhecida pelo amplo alcance vocal, pela inclinação operática em alguns trabalhos e por sua luta e ativismo em favor da classe LGBT, sendo, por isso, um dos maiores gay icons da Península Ibérica.

No começo de sua carreira, Mónica fazia várias turnês em conjunto com outros artistas, porém, sem alcançar sucesso na Espanha natal, seu álbum de estréia Mónica Naranjo foi lançado apenas  no México, onde teve um sucesso mediano (até que o lançamento do álbum seguinte catapultasse as vendas do debut da cantora para mais de 2 milhões de cópias vendidas mundialmente).

Já seu segundo álbum, ‘Palabra de mujer’, lançado m 27 de Maio de 1997, foi um sucesso estrondoso em terras mexicanas, superando a marca de um milhão de unidades vendidas e forçando a Sony, gravadora de Mónica, a lançá-lo na Espanha, onde vendeu outro milhão de cópias. No total, esse álbum soma mais de 2,3 milhões de cópias vendidas mundialmente.

Entre esses dois álbuns, Mónica mudou consideravelmente seu estilo, passando de uma jovem frágil que cantava músicas adolescentes genéricas  com  uma voz ainda imatura para um mulherão sensual, com um vocal que se tornaria sua marca registrada, cujo amplo alcance vocal permite que Mónica explore notas altíssimas e baixíssimas com facilidade.

Mesmo os temas tratados sofreram uma grande evolução, passando de uma visão imatura e idealizada do amor para algo mais realista, tocando nas dores  e nas alegrias que o amor causam numa mulher dona de si mesma. Também é importante citar que a sonoridade se tornou muito mais eletrônica e techno do que o primeiro álbum da cantora, que de certa forma era mais acústico.

Veja nossa análise faixa-a-faixa

1. Desátame (Desata-me)
O segundo single do álbum e maior hit da cantora merece o sucesso excepcional que teve. A letra fala sobre um assunto muito típico nos relacionamentos: um parceiro que não decide se quer ou não ficar com o outro.

A canção começa com uma harpa, coro e vocalizações de Mónica, logo desaguando numa batida eletrônica e dance que junta sintetizadores e instrumentos como piano e bateria. A melodia é dinâmica e bem datada, assim como as manobras vocais feitas, principalmente no fim da faixa, catapultando o ouvinte diretamente para o fim dos anos noventa.

O clipe mostra a cantora como uma espécie de vestal ou sacerdotisa grega num templo, vestida de forma sensual e provocante. Ela mantém homens acorrentados e submissos, enquanto há cenas em que ela está na cama com outras sacerdotisas, mostrando uma grande tensão sexual lésbica e contribuindo para elevar o status de gay icon da cantora.


2. Empiezo a recordarte (Começo a me lembrar de você)
O terceiro single do álbum contrasta com força da faixa anterior. É uma balada muito mais acústica, com o eu-lírico muito mais frágil do que em ‘Desátame’. Aqui, ela lembra com saudade e tristeza de alguém amado que se foi, não ficando exatamente claro se esse alguém morreu ou simplesmente foi embora.

A melodia é calma, dominada por piano e bateria, e a voz de Mónica, igualmente forçada a notas altas como na faixa anterior, desempenha de forma muito bonita essa canção tão sentimental.

O clipe é simples e belo, simplesmente mostrando a cantora vestida como uma diva dos anos 50, cantando tanto deitada no chão quanto recostada num tipo de divã.

Uma curiosidade: essa canção foi incluída numa compilação em homenagem às vítimas do atentado terrorista de 11 de Março de 2004, em Madri.


3. Yo vengo y tu te vas (Eu venho e você vai)
Essa é mais uma balada do álbum, dessa vez um pouco mais inclinada ao jazz, menos visceral e contundente que a faixa anterior. Ela evoca a distância e certas incompatibilidades que o eu-lírico tem com seu parceiro, dizendo que o amor pode superar essas dificuldades.

A melodia é mais diluída e menos pesada, resumida a bateria e baixo. Não é uma canção exatamente memorável.

4. Entender el amor (Entender o amor)
O primeiro single do álbum salva os ouvintes da melancolia causada pelas duas faixas anteriores. Ela nos convida a sair da zona de conforto e de nossas ressalvas, arriscando a viver intensamente a vida e o amor. Uma leitura mais maliciosa pode fazer a música significar um convite a desfrutar o sexo sem tabus, o que é bem provável, dado o caráter libertador desse álbum.

A melodia é bastante dinâmica, no meio do caminho entre o dance e o eletrônico, com algumas influências gospel, como coro. Junto dos sintetizadores há uma instrumentação rica, com bateria, baixo e piano. Por outro lado, a voz de Mónica ousa muito menos do que nas duas primeiras faixas do álbum, exceto por uma pequena extravagância no final.

Infelizmente não teve clipe, o que é até compreensível, pois não se tinha certeza sobre o desempenho das canções do álbum.

5. Ámame o déjame (Me ame ou me deixe)
Quinto single do álbum e, assim como o primeiro, desprovido de clipe, essa canção promete repetir o tema de ‘Desátame’, embora o faça de uma forma mais intensa, deixando mais evidente a tortura emocional pela qual Mónica passa.

A instrumentação, por outro lado, é muito bela. Desde a introdução com violino, percussão e guitarra até o resto, dominada por piano, percussão preguiçosa e voz, sendo acrescido de outros instrumentos aos poucos, até explodir no final.

6. Pantera en libertad (Pantera em liberdade)
O quarto single do álbum é sua canção mais empoderadora, resumindo as intenções desse álbum. Aqui, Mónica toma seu espaço e sua dignidade, dizendo ser livre enquanto toma as rédeas da sua própria vida. É com certeza um grande hino feminista.

A instrumentação é simplesmente maravilhosa. Começa com uma vocalização da cantora numa introdução meio oriental, desaguando rapidamente em uma melodia techno e dance, onde os sintetizadores dominam os instrumentos distorcidos. A voz de Mónica está acompanhada de coros, e é capaz de coloraturas muito bem posicionadas.

O clipe é simples, mas lindo. Mostra Mónica numa espécie de futuro pós apocalíptico. No começo ela está presa num tipo de pedestal enquanto bailarinos com máscaras de gás dançam. No final, ela aparece arrastando um homem pelos cabelos, como se ele fosse um cachorro.


7. Rezando en soledad (Rezando solitária)
O oitavo e último single do álbum fala basicamente sobre ficar preso em um passado infeliz, com medo de que não haja outra oportunidade de ser feliz. Nessa faixa em especial, a cantora apela à religião em busca de redenção e felicidade. Assim como ‘Ámame o déjame’, não ganhou vídeo.

A melodia é simples, mesclando instrumental de igreja, como harpas,  e bateria muito suave, que se avoluma um pouco na segunda parte da música.

8. Las campanas del amor (Os sinos do amor)
O sétimo single do álbum é sua canção mais inocente e mais parecida em tema com as canções do álbum anterior. Ela fala sobre o primeiro amor, que nunca são esquecidos, que fazem o eu-lírico conhecer um mundo totalmente novo e que causam uma dor imensa ao terminar.

A canção traz os sinos de forma literal, na melodia da música. A instrumentação é bastante dinâmica, aliando sintetizadores e bateria. É uma canção bonitinha, mas bastante água-com-açúcar.

Não ganhou clipe oficial.

9. Miedo (Medo)
Essa é uma canção pouco memorável do álbum. É uma balada acústica de voz e piano, com um eventual violino acompanhando a melodia. Ela fala sobre o medo de amar depois das desilusões, retomando um pouco o tema de ‘Rezando en soledad’.

10. Tú y yo volvemos al amor (Eu e você voltamos ao amor)
Sexto single do álbum, essa canção fala sobre as paranoias que temos quando nos relacionamos com alguém e que não levam a lugar algum, podendo inclusive causar muitas brigas.

A melodia é um tanto country, dominada por violão, mas pontuadas por um sintetizador muito discreto e por bateria.

Letra: 7,0
Melodia e Instrumentação: 8,5
Vocais: 9,0
Videografia: 9,0
Identidade Visual: 9,0
NOTA FINAL: 8,5



Mónica Naranjo quebra as correntes em "Palabra de Mujer" Mónica Naranjo quebra as correntes em "Palabra de Mujer" Reviewed by Wilson Barroso on domingo, julho 09, 2017 Rating: 5