O rap ainda é um ritmo preconceituoso?


NOVO: Ouça o artigo!

Sabemos que o rap é um estilo musical predominantemente composto por homens, que por sua vez é um núcleo extremamente machista, misógino, sexista e homofóbico. O movimento nasceu na Jamaica e na década de 1970 foi levado pelos imigrantes jamaicanos para as periferias de Nova Iorque. Infelizmente, a realidade das periferias tanto em 1970, quanto hoje em dia é praticamente a mesma: Vemos machismo, misoginia, homofobia, violência, entre outras barbaridades. A partir daí podemos entender o porque dese ritmo musical carregar tanto esse peso.



Compreendido que o rap é um ritmo masculino e heterossexual, imagine a dificuldade que uma mulher tem para fazer seu nome nesse meio. Sim, temos grandes nomes de rappers femininas como Lil’ Kim, Missy Elliot, Nicki Minaj, Iggy Azalea, CL porém são minoria num mercado dominado por homens. 


Agora imagine para um rapper assumidamente gay, onde por mais que existam alguns nomes no mercado como Frank Ocean, Le1f, IloveMakkonen, Zebra Katz, entre outrosnenhum deles está fazendo um sucesso relevante na indústria, até o momento.


Por outro lado, temos a música pop, um ritmo musical dominado por mulheres, denominadas divas do pop, como Madonna, Britney Spears, Mariah Carey, Beyoncé, Rihanna, entre outras. 

Grande parte do público que consome música pop são mulheres e gays, pois se vêem representados por essas poderosas mulheres, coisa que no rap não acontece com frequência. Agora, quando pensamos na união do pop com o rap, instantaneamente iremos pensar em parcerias de enorme sucesso com vocais de rappers famosos, como Jay-Z, Drake, Eminem, Snoop Dog, The Weekend, entre outros.

Entendemos que não podemos colocar todos os rappers num mesmo contexto, pois nem todos são machistas e preconceituoso, porém isso não desvalida o preconceito dentro do meio. Entendemos também que o mundo da música também é um mundo de negócios. Um vez que o rap é tão rentável quando colocado junto ao pop, é natural que as gravadoras direcionem suas artistas ou seus artistas para uma possível parceria de sucesso com um rapper, para render bons números de vendas. 

Artistas mais renomados sofrem menos pressões externas que artistas novos no meio, que precisam fazer o seu nome no mercado, porém também sofrem pressões dos seus agentes para fazer sempre as escolhas mais rentáveis. 



Imagine uma pessoa, você mesmo. Você normalmente precisa agir com a razão e o coração. A razão é a parte fria, calculista e o coração é a parte emocional, afetiva. A música também pode ser entendida da mesma forma. A razão sendo as grandes gravadoras, investidores, produtores, que estão preocupados sempre com números, posições, lucros e o coração como sendo o amor do artista pela música, por escrever músicas que traduzem sentimentos, os sonhos que os artistas depositam em seus trabalhos.



Não que necessariamente colocar um rapper numa música seja uma obrigação, ou que as gravadoras só utilizem essa fórmula para fazer sucesso, e nem que todos sejam iguais. Essa escolha pode partir também da identificação de ambos os artistas. O que é necessário entender que o meio do rap tem o preconceito enraizado e que alguns rappers tenham pensamentos retrógrados e preconceituosos. 

Recentemente, a cantora Katy Perry lançou seu novo single com participação do trio de rappers Migos, que estão sendo acusados de darem declarações homofóbicas.


O trio foi questionado em uma entrevista sobre o rapper IloveMakkonen que é assumidamente gay e a resposta foi que eles acreditavam que o mesmo perderia totalmente sua credibilidade como rapper, o que não é necessariamente uma declaração homofóbica e sim uma realidade da indústria do rap.

Tal declaração foi prejudicial para a divulgação da música e a cantora ainda não se pronunciou sobre o ocorrido, mesmo sendo alvo de inúmeras críticas. Nós, fãs de música pop, não sabemos como funciona os bastidores de uma produção e o que levou Katy ou a própria gravadora a concordar com a parceria, mesmo com toda essa polêmica envolvida. Mas o curioso é que em determinados momentos, algumas cantoras são escolhidas para serem crucificadas pelo público e também pela mídia e Katy sempre foi alvo de críticas e piadas pela sua voz, pelo seu universo colorido e lúdico, de ter nunca ter ganhado um Grammy


Sua amiga e colega de trabalho Rihanna, colaborou algumas vezes com o rapper Eminem, que é extremamente preconceituoso em suas letras, e foram parceiras de enorme sucesso, tendo alcançado o topo das paradas americanas.

Diversos outros rappers que participaram em músicas de sucessos tiverem seus nomes envolvidos em alguma polêmica e nada impediu que eles fizessem tais parcerias. Faz sentido apedrejar uma e enaltecer outra? 

Temos sempre que lembrar que por trás de uma cantora ou um cantor, existe uma pessoa que acerta, erra e principalmente que tem sentimentos. Então antes de deixar um comentário de ódio numa rede social, coloque a mão na consciência e seja mais humano. Você tem o direito de se indignar, não gostar, e de simplesmente não ouvir, mas o respeito ao próximo é imprescindível. Pense nisso!


Que haja AMOR! 💖
O rap ainda é um ritmo preconceituoso? O rap ainda é um ritmo preconceituoso? Reviewed by Bernardo Torres on quarta-feira, maio 10, 2017 Rating: 5