Harry Styles soa classicamente moderno em seu álbum solo


Uma verdadeira jogada de mestre! Talvez essa seja a melhor forma de descrever cada movimento de Harry Styles no início de sua jornada solo. O mundo inteiro estava de olho no cantor britânico, esperando o que viria de um dos nomes que fizeram parte da maior boyband do mundo e, após seus colegas colocarem suas cartas na mesa, Styles simplesmente virou o jogo e fugiu de tudo que havia sido apresentado por eles até então! Afinal, quem diria que o álbum do cara soaria como um clássico pop-rock, pronto pra se imortalizar em awards e halls?

É extremamente empolgante ver Harry, assim como Justin Timberlake, George Michael e Robbie Williams reescrevendo a fórmula "como sair de um grupo e fazer sucesso" sem precisar apelar para tudo o que tem sido exposto nas rádios e charts aos montes atualmente.

Chega de conversa, pegue seus fones e acompanhe nossa análise faixa-a-faixa do álbum "Harry Styles":


01. "Meet Me Hallway"
Harry inicia seu mega esperado álbum com uma gravação deliciosamente glamourosa. A guitarra, os sintetizadores, os poderosos vocais se esvaindo distantemente, suavemente... Tudo aqui colabora para criar a vibe necessária para que ele implore a sua amada a ir ao seu encontro. A faixa traz o tom necessário ao disco: o amor não é simples (AKA Taylor Swift - "Red"). O controverso sentimento é cantado em diversas canções, desde sua forma mais expressiva até os amores perdidos... Talvez daí venha a ideia da capa, ele está submergindo em seus sentimentos, eles ecoam para que o mundo possa ouvir.

02. "Sign Of The Times"
O elogiadíssimo primeiro single do álbum vem na forma de uma épica canção de pop-rock, gritando sobre evitar emoções em tempos pouco amistosos... É uma espécie de 'amor em tempos de cólera' menos otimista e mais concreta. A notável inspiração no legado de Bowie e nas grandiosas canções de rock dos anos 70 ajuda a criar a aura de epicidade em torno do single que, assim que foi lançado, caiu na graça dos fãs e da crítica especializada. Ponto pro Harry!

03. Carolina
Agora é hora de curtir! O tom baixo, os ruídos e barulhos ao fundo remetem ao trabalho de Beck e chegam a surpreender... Afinal, não é o tipo de coisa que esperamos ouvir no álbum-solo de um ex-integrante de uma boyband. Os la la las e, pasmem, até mesmo barulhos de vaca ajudam a criar um clima deliciosamente tropical (sem apelar pra "Sorry" e suas derivadas). Deliciosamente boa!

04. "Two Ghosts"
Calling all the manas CSI porque, essa aqui, é a que dizem ser sobre Taylor Swift e seu relacionamento com o cantor. Talvez seja pelo fato de Styles cantar sobre lábios vermelhos, olhos azuis e boletos pagos (tá, essa última foi por nossa conta) que a especulação foi criada, ou talvez pelo fato de ser uma belíssima e dolorosa canção de término. O refrão é lindo demais... “We’re not who we used to be, we’re just two ghosts standing in the place of you and me trying to remember how it feels to have a heartbeat.” é uma das composições mais belas do disco.

05. "Sweet Creature"
Pode entrar, The Beatles - "Blackbird"! Não precisamos falar muito: uma música, em um 2017 cheio de uh uh uhs, assovios e samples praianos, ser comparada com um dos maiores clássicos dos Beatles é algo em que devemos prestar atenção com toda certeza!

06. "Only Angel"
Talvez o elo fraco entre as faixas do autointitulado álbum... Uma pena, porque a faixa tem a introdução mais épica de todo disco e muito potencial para, inclusive, abrir os shows de Styles por aí. O grande problema é que ela não cresce muito e, ao lado dos hinos anteriores e que virão, se perde. Mick Jagger respira e é exalado em cada segundo da faixa, permeada de woo hoos e riffs pesados de guitarra. Já tá liberado problematizar o quote:  "Couldn’t bring you home to mother in a skirt like that/But I think that’s what I like about it.”? Não dá pra apresentar a garota pra sua mãe por causa da roupa, amigão? Assim, só pra saber...

07. "Kiwi"
Mais rock, que tá pouco ainda! Nessa aqui, a vibe é outra... Exaltando Iggy Pop, Ramones e similares, Harry entrega sua "Billie Jean", gritada e berrada de todas as maneiras possíveis... Uma canção poderosíssima de rock que engole a antecessora... Derrapou, mas voltou pros trilhos em grande estilo!

08. "Ever Since New York"
Essa foi a primeira canção apresentada ao público depois do arrasa-quarteirões chamado "Sign Of The Times". Aqui as coisas voltam à serenidade perdida após as fortes batidas das canções anteriores... Uma melodia deliciosa e uma letra muito bem pensada marcam presença em mais uma balada belíssima do disco.

09. "Woman"
Essa aqui tem diálogo de abertura e tudo: "Devemos começar a caçar comédias românticas no Netflix e ver o que encontramos?". QUEREMOS, Harry!
A canção, ao contrário do que seu título e abertura indicam, fala de uma antiga paixão que agora está seguindo em frente com outro cara. Elton John e, até mesmo Prince são celebrados na faixa que, apesar dos irritantes barulhos, consegue deixar sua marca e conquistar seu espaço no álbum.

10. "From The Dining Table"
A faixa final do álbum, leva as coisas a um ritmo mais lento e acústico. Styles canta sobre acordar sozinho novamente em uma outra cama de hotel. Vulnerabilidade e aquela sensação de que ainda não acabou permeiam a canção, criando uma aura mais triste e reflexiva. A letra é belíssima e fecha, com chave de ouro um dos melhores álbuns do ano, sem dúvidas!
Harry Styles soa classicamente moderno em seu álbum solo Harry Styles soa classicamente moderno em seu álbum solo Reviewed by Raphael Mota on sábado, maio 13, 2017 Rating: 5