Análise: Caméléon, as novas cores de Shy'm


Tamara Marthe, conhecida como Shy’m, nascida nos subúrbios de Paris em 28 de Novembro de 1985, é uma das cantoras francesas mais bem sucedidas do século XXI. Comparada constantemente pela imprensa especializada com Rihanna e até mesmo com Beyoncé, Shy’m é conhecida por sua presença de palco, sensualidade das músicas e timbre agradável.

Do lançamento de seu primeiro álbum (‘Mes fantaisies’, 2006) até sua vitória no ‘Danse avec le stars’ (Dançando com as estrelas, em tradução livre) em 2011 suas músicas tendiam  majoritariamente ao R’n’B e ao blues, com direito a experimentos zouk , hip hop e rap, por causa da parceria com diversos rappers franceses, principalmente K-Maro.

Em 25 de Junho de 2012, no entanto, todo o estilo R’n’B da cantora praticamente abandonado com o lançamento de seu quarto álbum de estúdio, ‘Caméléon’ (Camaleão), um trabalho extremamente dancepop e eletrônico, até mesmo com toques de dubstep. Essa experiência de mudar radicalmente a sonoridade de Shy’m, apesar de arriscada, funcionou. Até hoje, esse é seu segundo álbum mais vendido (300 mil cópias na França, certificado como platina tripla), atrás apenas de ‘Prendre l’air’ (‘Tomar ar’, 2010), também platina tripla.

Esse álbum também rendeu a canção assinatura e maior hit da cantora: ‘Et alors!’, que também teve um grande alcance, ocupando posições relativamente altas em países como Canadá e Suíça. Todo o trabalho tem grande coesão estética, pois quase todas as canções tem melodias que se conectam, mas não tão parecidas a ponto de tornar ‘Caméléon’ um álbum monótono.

Veja nossa análise faixa a faixa

1. Et alors! (E daí?)
O lead single e canção mais bem sucedida do álbum escancara a mudança de direção musical da artista. Longe do R’n’B e do blues, essa canção é extremamente dance, com direito a sintetizadores e assobios, além de um dubstep nervoso em certos pontos.

É uma canção sobre autenticidade, sobre não tentar se encaixar na sociedade escondendo partes de sua verdadeira personalidade, tanto que se tornou um verdadeiro hino LGBT, tanto pelo conteúdo quando pelo clipe, que tem dançarinos andróginos dançando pelas ruas de Paris após saírem de uma casa bagunçada after party. O batom com as cores do arco-íris que a cantora usa em algumas partes do vídeo reforça esse caráter gay friendly.

Ironicamente, a coreografia do clipe foi acusada de plágio via Twitter, mas nada foi confirmado nem tomou maiores proporções.


2. Et si (E se)
O terceiro single do álbum pega mais leve com os sintetizadores. Essa canção midtempo inclui piano e guitarra, sendo uma das mais orientadas para balada do álbum.

A letra questiona a duração do amor, onde o eu-lírico se questiona se o amor que ela vive vai durar pra sempre. No videoclipe, Shy’m aparece numa festa, mas ninguém a percebe. No fim do vídeo, uma tumba é visitada por seu namorado e amigos, revelando que ela estava morta desde o começo.


3. On se fout de nous (Não nos importamos conosco)
O segundo single do álbum é, assim como o primeiro, uma canção uptempo e dance, onde os sintetizadores são complementados por piano e violão, principalmente no refrão e na introdução.

A letra fala sobre o desgaste de uma relação, quando todo o sentimento vira rotina. O clipe é bem estético, mostra Shy’m e seu companheiro se acariciando de forma coreografada, apesar de parecerem sem expressão, como se aquilo fosse puramente mecânico.


4. #Shimisoldiers
A quarta faixa do álbum é uma canção de agradecimento aos ‘shimisoldiers’, ou os fãs da cantora. É um dubstep frenético, com sintetizadores dominando a melodia da canção, que em certos momentos parece uma espécie de hino ou marcha militar.

5. Contrôle (Controle)
Se até a quarta faixa, o álbum era feito de forma leve e fácil, a partir da quinta música, ele se adensa e fica um pouco mais experimental se comparado com o escutado até então. ‘Contrôle’ tem uma batida mais barroca, com sintetizadores e voz distorcida, sendo que nem sempre é apreciada como merece logo de primeira.

É uma canção sobre ter várias facetas de personalidade, sobre não ser uma pessoa rasa, facilmente controlada. Na música, nem mesmo o próprio eu-lírico tem controle pleno de si mesmo. Quinto single do álbum, infelizmente não ganhou clipe.

6. Caméléon (Camaleão)
Um pouco mais lenta, essa canção retoma um pouco da tradição R’n’B da cantora numa melodia midtempo que mescla elegantemente sintetizadores com piano e violão. Como o nome e o contexto do álbum indicam, essa música fala sobre adaptação e sobre abraçar as mudanças de coração aberto. Foi o quarto single do álbum, mas não ganhou clipe.

7. Comme un oiseau (Como um pássaro)
Aqui o clima eletrônico é posto de lado, sendo essa a canção mais acústica e lenta de todo o álbum, cujo instrumental é quase 100% piano, exceto um sintetizador R’n’B suave no fundo musical.

É ainda uma canção sobre mudança e liberdade de tentar algo novo, repetindo o tema das duas faixas anteriores.

8. En plein coeur (De todo coração)
Retornando ao eletrônico com sintetizadores densos e batida bem demarcada por guitarra. Uma nova camada instrumental techno no final da faixa a dá um tempero especial.

A letra fala sobre tentar o amor mais uma vez, apesar da desconfiança e traumas do eu-lírico.

9. Black Marylin (Marylin negra)
Talvez a canção mais elegante do álbum, Shy’m fala de uma de suas grandes inspirações: Marylin Monroe, e como ela se sente quando está no camarim e no palco.

A letra faz várias referências à vida da diva do cinema, inclusive a seu icônico quadro pintado por Andy Warhol. Apesar de ser uma música curta, é bastante charmosa, iniciando com sintetizadores bastante elegantes, que ganham nova vida no refrão

10. Elle (Ela)
De longe, essa é a faixa mais sensual do álbum. Com elementos de R’n’B, ela começa com um saxofone, que já a dá um clima bastante sugestivo. Shy’m canta mais lentamente que a batida repleta de sintetizadores elegantes e bateria, sugerindo uma sensualidade a mais. Ela fala sobre sexo, em última análise, enaltecendo a sensualidade feminina.

11. Sur la route (Na estrada) feat. K-Maro
Essa é mais uma faixa dance com sintetizadores dominando sua melodia. O único dueto do álbum é uma canção sobre wanderlust, ou seja, a necessidade e alegria de viajar, seja por diversão ou em turnê. Ela finaliza a versão standard do álbum com bastante classe, sem abusar da voz do rapper, como ocorre muitas vezes nos álbuns pop americanos. 


Letra: 7,0
Melodia e Instrumentação: 7,0
Vocais: 7,0
Videografia: 7,5
Identidade Visual: 7,5
NOTA FINAL: 7,2




Análise: Caméléon, as novas cores de Shy'm Análise: Caméléon, as novas cores de Shy'm Reviewed by Wilson Barroso on segunda-feira, maio 15, 2017 Rating: 5