Análise: Senza pietà, o general mais cruel do front


Anna Oxa é uma das maiores cantoras de musica leggera (pop romântico italiano) da história, ocupando um lugar ao sol na música da Itália, ao lado de grandes cantoras como Mina, Patty Pravo e Rita Pavone.

Nascida em Bari em 28 de Abril de 1961, Oxa é conhecida por sua voz grave, quente e poderosa, que encantou o público italiano em 1978, aos 16 anos, quando cantou Un’emozione da poco no Festival de Sanremo, o festival de música mais importante da Itália, chegando ao segundo lugar.

Desde a publicação deste single, a partir de seu primeiro álbum, Oxanna, e através de toda a década de 80, Oxa lançava álbuns praticamente todo ano, junto com singles que tocavam toda hora em quase todas as rádios da península. Nesse período, músicas incrivelmente bem sucedidas e lembradas até hoje foram lançadas, como Non Scendo (Não desço), Eclissi totale (Eclipse total) e É tutto un attimo (É tudo um momento), o que tornou seu rosto conhecido de Lampedusa ao Trentino e construiu sua imagem como cantora e artista querida em todo o país.

Na década de 90, no entanto, sua produção diminuiu em quantidade por causa do nascimento de seus filhos, de forma que apenas três álbuns de estúdio foram publicados ao longo de toda a década.

No entanto, no começo de 1999, Oxa lançou um de seus álbuns mais vendidos em solo italiano. Senza pietà (Sem piedade) foi disco de platina na Itália, vendendo mais de 100.000 unidades, sucesso esse parcialmente trazido pela vitória da cantora com o single homônimo no Festival de Sanremo de 1999.

Ao contrário dos álbuns da década de oitenta, Senza Pietá não é um álbum de música leggera pura, trazendo consigo fortes elementos de música americana, principalmente influências de jazz e soft rock.

Veja nossa análise faixa a faixa:

1. Le stagione dei disinganni (As estações das desilusões)
O abre-alas do álbum já começa com uma batida pouco comum em música leggera, com bateria e guitarra suaves, dando um acompanhamento rock para o calor da voz de Oxa.

Liricamente, ela também se diferencia da temática clássica da música leggera. Aqui, Oxa fala sobre desilusão, mas não se lamenta nem se torna melancólica por isso. Ela diz que dói, mas que é preciso superar e que, em algum momento, o amor chegará sem causar esse tipo de dor.       

2. Verrai (Você virá)
Talvez a canção mais jazzy do álbum, ela exala elegância. Permeada por uma bateria suave e um teclado sensual por trás, Verrai é uma música onde a cantora antecipa a vinda do amor, criando uma série de expectativas que espera que sejam cumpridas.

3. Senza Pietá (Sem piedade)
A canção-título do álbum prende o ouvinte já no começo, onde toca uma pesada instrumentação oriental, desaguando num soft rock bastante dançante. A voz de Anna começa suave, mas no gancho e no refrão, ganha a força que a fez famosa.

Liricamente, o segundo single do álbum e canção vencedora do Festival de Sanremo é bastante simples, fala de uma mulher que vai lutar pelo seu amor, comparando-o a uma guerra.

O clipe dessa canção é uma representação literal do texto, mostra Oxa de cabelo platinado vestida de cavaleiro/guerreiro medieval intercalando cenas de batalha com uma coreografia marcial com uma espada.




4. Chissà (Talvez)
Outra canção bastante jazzy, mas com o ritmo levemente dançante por causa da percussão, é uma das duas canções do álbum não escrita por Alberto Salerno, tendo sido escrita por Kaballà.

Liricamente, ela compara o amor como terra firme, enquanto o eu-lírico está à deriva num mar, talvez símbolo de incertezas e solidão.

5. Camminando, camminando (Andando, andando)
Terceiro single do álbum, esta canção tem duas versões: uma em italiano, para o mercado interno; e outra em espanhol com o cantor porto-riquenho Chayanne para o mercado hispânico.

É a música mais dançante do álbum, com instrumentação latina e ritmo dinâmico, com direito a muitos instrumentos de sopro e percussão.

Liricamente, se fala sobre não permanecer na zona de conforto e ser resiliente, aceitando mudanças na vida e no amor sem sofrimento.

O clipe da canção é divido em duas partes na tela, uma para cada cantor. Mostra ambos andando por uma cidade grande e cantando, mostrando o que normalmente se vê nesse tipo de percurso, como feiras, mendigos e multidões.



6. Luci e ombre (Luzes e sombras)
É uma das canções do álbum que mais retomam a instrumentação e conteúdo de música leggera, mas apesar disso, Anna chega a notas altas em alguns pontos, e em alguns pontos com direito a coro.

Tematicamente, não difere do esperado do pop romântico italiano, é uma canção de amor bastante genérica.

7. Come dirsi ciao (Como se dizer adeus)
O lead single do álbum começa com uma instrumentação confusa, mas rapidamente desagua numa melodia com bateria e violão. É bem dinâmica e tem um refrão que lembra suas músicas da década de 80. Liricamente, fala sobre dizer adeus, mas sem cair no clichê melancólico. Não teve clipe.

8. Che cosa dire di te (O que dizer de você)
Esta canção, assim como Chissà, também não foi escrita por Alberto Salerno, mas por Davide Scudiere. É uma canção bastante suave e com forte tendência ao jazz.

Aqui, a cantora se recorda de uma pessoa amada, sendo essa pessoa uma mulher, ou seja, a letra resvala na homossexualidade feminina, apesar desse não ser o assunto principal, mas apenas um detalhe não tão óbvio.

9. Il dio della luna (O deus da lua)
O quarto single do álbum, assim como Come dirsi ciao, não teve clipe. É uma balada orientada para o rock, com uma guitarra suave e uma bateria um pouco mais proeminente aliada às notas que Oxa chega em alguns pontos e com direito a coro em algumas partes. Ela evoca uma divindade que mandou o amor para o eu-lírico.

10. Don’t cry, sweet love
Apesar do título em inglês, a música é cantada em italiano, exceto no refrão, onde o título da música é cantado por um coro.

Musical e liricamente, retoma o instrumental orquestrado característico da música leggera, com direito a piano e metais que acompanham uma canção de amor.
         
Letra: 5,5
Melodia e Instrumentação: 7,0
Vocais: 8,0
Videografia: 5,0
Identidade Visual: 6,0

NOTA FINAL: 6,3


Análise: Senza pietà, o general mais cruel do front Análise: Senza pietà, o general mais cruel do front Reviewed by Wilson Barroso on domingo, abril 23, 2017 Rating: 5