Análise: Alina, é mais fácil despir o corpo do que a alma


Frida Gold é uma banda pop formada em 2007 na cidade de Bochum, na Alemanha por Alina Suggeler e Andi Weizel. Em dez anos de carreira, já lançou três álbuns bem sucedidos, dos quais os dois primeiros são disco de ouro na Alemanha (mais de cem mil unidades vendidas cada um).

Originalmente, a banda se chamaria apenas Frida, em homenagem à música homônima de Axel Bosse. O ‘gold’ foi introduzido pelo fato do ouro ser algo quente, brilhante e valioso. Originalmente tendendo ao rock, a banda aos poucos absorveu influências pop, disco e techno, o que já é visível em seu primeiro álbum ''Juwel'' (Joia, 2011) e de forma mais madura em seu segundo trabalho, ''Liebe ist meine Religion'(Amor é minha religião, 2013), sempre misturando inglês e alemão.

Ao longo de 2014 e 2015, a ideia era de que o terceiro álbum da banda deveria ser integralmente em inglês, mas a intenção foi abandonada devido ao medo da rejeição dos fãs mais leais, o que adiou o lançamento do álbum em quase um ano. É um trabalho fiel à discografia da dupla, mantendo as raízes synthpop e techno. No entanto, certos aspectos da música americana continuaram presentes das faixas, como o rap.

Lançado em 30 de Setembro de 2016, Alina é de certa forma um álbum intimista, lidando com medos e superação. Em entrevista, a própria Alina o definiu como uma tentativa de se encontrar, tentando mostrá-la como um todo e não só uma ou duas facetas de sua personalidade. 

Veja nossa análise faixa a faixa:

1. Andis song (Canção para Andi)
Alina começa com uma canção bastante delicada e acústica, composta basicamente de piano e voz, em alguns momentos lembrando uma canção de ninar. Na segunda metade, uma flauta é introduzida na instrumentação. Em última análise, não representa bem a sonoridade do álbum.

Fala sobre gratidão, onde Alina expressa faz um agradecimento para Andi, seu colega e co-fundador da banda, pelo apoio e parceria depois de tanto tempo juntos.

2. Burn the boats (Queimar os barcos)
Essa faixa já corta totalmente o clima romântico da faixa anterior, sendo muito mais dinâmica, com direito a sintetizadores e solo de guitarra, orientada para o pop-rock.

É uma canção sobre emancipação, sobre superar receios e ir atrás do que se quer sem ligar para o pensamento dos outros.

3. Wir sind zuhaus (Estamos em casa)
O segundo single de Alina, originalmente batizado de ''Touch the Sky'', é uma gravação do período em que o álbum ainda seria gravado em inglês. Tem uma mensagem bastante otimista, dizendo que a qualquer momento, em qualquer lugar, uma pessoa pode achar uma casa, onde é aceita e estimada.

É instrumentalmente rica, com sintetizadores, guitarra e bateria, além de por trechos em inglês no texto em alemão. O clipe se passa em um tipo de celeiro onde a banda é vista tocando e num carro dirigido por Andi e com Alina abraçada com uma mulher, provavelmente sua namorada.


4. Ich hab angst (Tenho medo)
Esta faixa também é do protótipo do álbum, e seu nome em inglês era ‘'Scared to Lose’', sendo considerada pela vocalista sua canção favorita. Ela fala sobre medo em um relacionamento, principalmente em relação a não aceitação de seus defeitos e incertezas que ela não pode controlar.

Musicalmente, tem uma batida mais lenta, mas os sintetizadores e a bateria não deixam que se torne monótona. Em certos momentos, a voz de Alina tende a um rap suave, beirando a declamação.

5. Langsam (Lentamente)
O terceiro single do álbum, assim como Andis Song, é uma balada. Mas ao invés de ser apenas voz, piano e flauta, esta faixa é mais complexa melodicamente, com direito a guitarra e sintetizadores suaves.

É uma canção onde o eu-lírico mostra que não é infalível, e está suscetível a dor, rancor e problemas.

No clipe, Alina canta nua após sair do banho. Mas não é uma nudez erótica, e sim artística. Ela representa o desnudamento do espírito e a coragem de mostrar seus defeitos. Esse detalhe evidencia uma característica do pop europeu: a não-demonização do nu e a possibilidade dele ser usado como ferramenta artística sem cair no erotismo.




6. Rebel in Chanel (Rebelde em Chanel)
Talvez a canção mais dançante e dinâmica do álbum, Rebel in Chanel tem uma introdução curta de voz e piano, que evolui rapidamente para uma batida acelerada e sintetizadores proeminentes que desaceleram no gancho da música.

A letra fala basicamente sobre aliar sensibilidade e capacidade de lutar, fazendo referências constantes à própria Coco Chanel.

7. Zurück zu mir (De volta para mim)
No quarto single do álbum, a voz de Alina está suavizada em relação aos sintetizadores, recurso já utilizado em canções antigas como ''Undercover'' e ''Unsere Liebe ist aus Gold'', embora a guitarra também se destaque em algumas partes.

Convenientemente, é uma faixa sobre voltar às origens e sempre se lembrar da sua essência quando a desesperança e o medo crescerem. Também foi composta durante o protótipo do álbum, e em inglês se chamava ‘'My Love is Me’'.

O clipe é dividido em duas partes: a primeira, onde é cantada uma versão acústica da música e a segunda, que é a versão do álbum. O vídeo mostra Alina dançando e cantando numa cidade vazia.




8. Himmel (Céu)
Outra faixa da versão prototípica do álbum, originalmente chamada ‘'Let it Go'', Himmel lida com o desejo de liberdade e paz, pondo cada um como responsável pelo próprio destino.

Os sintetizadores são bem fortes nessa faixa, sendo difícil distinguir outros instrumentos em certas partes. No entanto, há momentos em que a guitarra se destaca e dá pra perceber que ela estava marcando o ritmo o tempo todo.

9. Wer einmal lügt (Quem mentiu uma vez)
Essa é a canção mais acústica do álbum, trazendo após voz e violão. Ela lida com a quebra de confiança após uma pessoa de confiança mentir, questionando se tudo tal pessoa fala ou falou é mentira.

10. DBNMMF
A sigla DBNMMF significa du bist nicht mehr mein freund (você não é mais meu amigo), que é a frase que mais se repete ao longo da música.

Com a presença de sintetizadores, essa canção é de certa forma sensual, com grande influência rap, tanto que em certos momentos o instrumental fica discreto, permitindo que Alina declame versos que falam sobre traição entre amigos, sobre abrir o coração para uma pessoa e ser apunhalada pelas costas.

De certa forma, retoma a temática da faixa anterior.

11. In my sleep
Esta canção foi uma das primeiras escritas para o álbum, ainda em 2014. Talvez seja a faixa onde os sintetizadores estejam mais presentes.

Apesar do título em inglês, é cantada em alemão, exceto em alguns versos do refrão. É a única canção de amor do álbum, lidando com saudade e desejo de ter a pessoa amada do lado.

12. Run, run, run
O álbum se encerra com o seu lead single, que ao contrário das outras faixas, é cantado integralmente em inglês, exceto por uma única frase em alemão no gancho da faixa.

Apesar dos sintetizadores, é bastante orientada para o rap e hip hop. Basicamente, fala sobre correr atrás dos objetivos, sem se deixar abater pelos fracassos que venham a acontecer, principalmente se tratando de uma mulher que precisa lutar contra o machismo e o preconceito todo dia.

O clipe mostra Alina correndo pela cidade, coreografando em certos pontos com algumas dançarinas e com a própria banda.




Letra: 7,5
Melodia e Instrumentação: 8,0
Vocais: 6,5
Videografia: 6,0
Identidade Visual: 7,0
NOTA FINAL: 7,0



Análise: Alina, é mais fácil despir o corpo do que a alma Análise: Alina, é mais fácil despir o corpo do que a alma Reviewed by Wilson Barroso on domingo, abril 09, 2017 Rating: 5