Zara Larsson diz a que veio com o álbum "So Good"

Com apenas 19 anos, sem nenhum álbum lançado mundialmente até agora, Zara Larsson é uma das grandes apostas da música pop para 2017. A sueca foi vencedora do Sweden Got Talent (isso quando tinha só 10 anos!) e, de lá pra cá, traçou uma jornada astronômica rumo ao sucesso. 

Talvez o nome seja novidade, mas a voz de Zara já é presença certa em muitos hits dos dois últimos anos. Foram colaborações com David Guetta, MNEK e mais uma penca de rappers que ajudaram a impulsionar a carreira da loira. O disco, lançado hoje em todas as plataformas, teve um longo caminho até ver a luz do dia, o primeiro single (e HINO A SER ENTOADO) "Lush Life" foi lançado ainda em junho de 2015! O grande feito de seu novo álbum, "So Good", é justamente a respeito dela: a artista é incrível por si só e prova isso com maestria. Apesar de se perder um pouco em meio a tantas ideias e estilos, Zara Larsson tem um brilhante futuro pela frente e, no que depender de suas novas (ou nem tanto) músicas, ele já está começando!

Veja a nossa crítica faixa a faixa para o "So Good":

01. "What They Say"
A faixa que abre o álbum tem a missão de nos apresentar o potencial vocal de Zara e sua proposta para o disco (por mais que ela se perca em alguns momentos) e consegue cumprir razoavelmente bem. É impossível não lembrar da voz de Rihanna ao ouvir os primeiros acordes entoados pela loira e isso não é necessáriamente ruim, não nesse momento. A canção é motivacional e incentiva os fãs a não acreditarem ou ligarem pra tudo que ouvem, assim como a própria cantora já ouviu várias vezes. É boa, mas perde o brilho dentro do álbum, principalmente quando antecede um hino como...

02. "Lush Life"
Um dos maiores jams de verão que já ouvimos! A canção mais antiga do álbum (sim, é ela que foi lançada há quase dois anos) ainda é a melhor dele. Aqui é que Zara se sente em casa e consegue entregar uma música com tudo o que está em alta atualmente: tropical vibes, vocais poderosos e atrevidos (bem sassy mesmo!) e letra sobre viver a vida sem preocupações. É a lush life que todos queremos, de fato! Impressionante a capacidade que a canção tem, mesmo após tanto tempo de lançada, ainda soar atual e dinâmica. Ponto pra Larsson.


03. "I Would Like"
Lançada no final de 2016, a canção mais "meu corpo quer você" do álbum é inspirada por uma prima mais velha, lá de 1998, obra da cantora Sasha chamada "Dat Sexy Body" e consegue ser um club banger tão grande quanto. Exalando dancehall, os produtores conseguiram trazer parte da cadência e das batidas para esta que, apesar de todo o esforço e dedicação, ainda soa bastante genérica. E olha que estamos falando de um álbum que tem como faixa-título...

04. "So Good" - feat. Ty Dolla $ign
O álbum foi precedido por três singles bastante satisfatórios e, por incrível que pareça, foi lançado "junto" àquele que é o mais fraco (bota fraco nisso) e aleatório dos quatro! A canção possui um refrão exaustivamente repetitivo e carece de momentos altos (aqueles que nos fazem pressionar os fones contra os ouvidos e curtir ainda mais o que se ouve), parece que foi gravada no piloto automático e simplesmente deixa de lado toda a sassiness da cantora. Gostaríamos muito de acreditar que é uma demo, unreleased ou algo do tipo... Mas não, é a faixa que dá nome ao disco e, bizarramente, não faz jus a ele.


05. "TG4M"
Aqui, Zara é uma party-girl nata e, apesar de não querer mudar, vai conquistar o boy de qualquer jeito. A canção é uma das mais fofas do álbum e remete até mesmo à Beyoncé com sua "Standing On The Sun". Vale a ouvida e mostra que nem tudo está perdido, mesmo com o fiasco da música anterior.

06. "Only You"
Escorregando novamente, Larsson entrega aqui uma filler de marca maior. A faixa abre com um forte "Eu não quero tomar banho, mesmo que eu esteja fedendo", se a ideia foi ser diferentona, saiu bastante errado. Os vocais são bem legais e o refrão tem um potencial enorme. A impressão que dá é que o grande defeito de "Only You" fica por conta de sua composição, nada atraente ou criativa.

07. "Never Forget You" - feat. MNEK
O que acontece quando a princesinha sueca junta forças com o produtor em ascenção de artistas como Madonna, Little Mix e Kylie Minogue? UM HINO! Lançada em 2015, a canção, que soa como o futuro da música pop, começa com os vocais melodicamente imponentes de Zara, durante o refrão cresce coma vertente eletrônica e estoura em um memorável break-down. Um dos pontos altos do disco também possui um clipe pra lá de tocante, contando a história da amizade de uma garota e um animal, vale a pena conferir!


08. "Sundown" - feat. WizKid
Essa aqui parece que veio diretamente do "A Girl Like Me", de Rihanna. E talvez esse seja um de seus maiores defeitos: é rihannish demais, desde os vocais iniciais até o swagga de Zara. Com certeza é fácil de confundir e pensar que é a barbadiana cantando. Tirando isso, a canção traz o dancehall de forma inteligentíssima, sem deixar de apostar no eletrônico tanto em alta hoje e tão explorado. Os vocais de WizKid ajudam a criar a vibe perfeita para um dos destaques do álbum. É quase impossível de não sair cantarolando "SO CAN WE LOOOOOOOOOOVE NOW?" e, Zara do céu, que final maravilhoso é esse?!

09. "Don't Let Me Be Yours"
Quem nunca se apegou ao boy "guilty pleasure" mesmo sabendo que ia dar ruim? Zara dá voz a essa galera, cantando aqui sobre sua relação com um cara que não era nada bom pra ela e, apesar de tudo, ela só o queria mais e mais. A canção poderia ser facilmente uma composição de Ed Sheeran e começa bastante promissora, com uma guitarra deliciosa de se ouvir. O que acontece depois disso é uma grande confusão que acaba por resultar em outra canção extremamente filler. Parece que Larsson ainda não descobriu seu potencial completo...

10. "Make That Money Girl"
A faixa de empoderamento feminino do álbum não passa disso, infelizmente. A canção, que parece uma tentativa bem falha de remeter a qualquer coisa que Beyoncé tenha feito nos últimos anos, é estremamente fraca em letra, melodia e incrivelmente, em execução. A grande pergunta que fica é: mesmo com todo esse tempo de pré-produção como canções como essa chegaram à forma final do disco? Esgorregão e tombo feio na certa!

11. "Ain't My Fault"
Mais urban que nunca, Zara aposta em um banger de marca maior pra consertar a burrada da canção anterior (percebam que o álbum tem dessas coisas: faz cagada, conserta com um hino). Toda a parte antes do refrão é extremamente inspirada no hip-hop mas, ao mesmo tempo, a faixa tem uns momentos pop incríveis (os "I-I-I-I can't be responsible" são memoráveis!). Outro grande destaque do álbum, mostrando todo o potencial fonográfico e visual da loira!


12. "One Mississippi"
Mais uma falha do (não tão) "So Good", a canção consegue acertar nos vocais (maravilhosamente melódicos), mas fica engessada e não consegue crescer muito por causa da letra, extremamente brega e simplista.

13. "Funeral"
Caminhando pro seu encerramento, essa aqui entra pro time das fofinhas do álbum. Com um título mega dramático e uma vibe deliciosa, o único problema fica por conta de um break de dubstep bem desnecessário (is it 2010 all over again?). Tem muito potencial, mas a repetição de gêneros já tão bem explorados acaba transformando a canção em nada mais do que regular, apenas.

14. "I Can't Fall In Love Without You"
Talvez a única baladinha propriamente dita do disco, a canção traz toda a potência vocal da sueca em uma belíssima canção pós-término. Forte e emotiva demais, nos faz pensar porque temos apenas esse exemplar da capacidade de zara para entoar love anthems como esse. Linda demais!

15. "Symphony" - feat. Clean Bandit
A única faixa-bônus é tipicamente uma produção de Clean Bandit, misturando elementos de música clássica e música pop eletrônica, para criar um verdadeiro MONSTRO em forma de canção! O refrão explode em euforia com os maiores e melhores registros vocais de Zara, que aqui soa mais angelical do que nunca. Ótima forma de encerrar um álbum que, com seus altos e baixos, consegue deixar a sua marca. Apareça mais vezes, Ms. Larsson, nós estamos prontos!

Zara Larsson diz a que veio com o álbum "So Good" Zara Larsson diz a que veio com o álbum "So Good" Reviewed by Raphael Mota on quarta-feira, março 22, 2017 Rating: 5