Album review: Um passeio por "1989"


           Se tem uma artista que consegue gerar grande ansiedade quando está prestes a lançar um álbum, essa artista é Taylor Swift! A loirinha de 25 nem precisa de muita publicidade, pois seu maior trunfo é o carisma que conquistou nos Estados Unidos ao longo de sua, ainda, curta carreira.

        Quando decidiu se libertar do estilo musical que a consagrou, o Country, e apostar no gênero POP, Taylor levantou dúvidas se conseguiria migrar seu público de um gênero a outro. Mas, se pensarmos bem, esta questão nunca foi sólida. Taylor sempre teve uma pegada POP. A princípio, em “Speak Now”, bem leve, depois, com o “Red”, ficou mais evidente por onde a cantora pretendia caminhar. É só ouvir “I knew you were trouble” ou “We Are Never Ever Getting Back Together” e perceber a veia pop da cantora.

Passadas as especulações sobre o lançamento, Taylor nos presenteou com o “1989”, um álbum que reflete, ao máximo, o que ela é de verdade. Visualmente, o álbum é bastante interessante, já que apresenta uma pegada vintagee mostra uma Taylor mais íntima. Funciona! As polaroides que acompanham o álbum físico dão um charme a mais no produto e revelam uma artista que se importa com os fãs a ponto de compartilhar fotos pessoais com eles. Achamos meigo!

O primeiro trabalho do disco é “Shake it off”. Em uma primeira audição a música não empolga e pode parecer até irritante. Mas, é quando você resolve dar outra chance, afinal estamos falando de Taylor Swift, responsável por diversos chicletes que colam na nossa cabeça. “Shake it off” tem o que chamamos de efeito grower: você vai gostar um pouco mais cada vez que ouvir, até não resistir e começar a dançar quando tocá-la na balada. É compreensível que Taylor tenha escolhido essa música como lead-single. Afinal, se o álbum se trata sobre sua vida, nada como reclamar dos ex-boysfriends, né?!

“Não tenho nada no meu cérebro/ É isso que as pessoas dizem/ Eu namoro muitos caras/ Mas não consigo fazê-los ficar comigo/ Pelo menos é o que as pessoas dizem”. Que atire a primeira pedra quem não nunca pensou isso dela. 

      1-      Welcome to New York
A primeira evidência de que Taylor realmente quis trazer os anos 80 para o seu álbum é melodia inicial com sintetizadores pesados, típicos das músicas da época. A música, obviamente, fala sobre a cidade de Nova Iorque e como ela é encantadora e inspira sonhos. Nada muito surpreendente, nada muito animador. Talvez Taylor esteja nos convidando a viver a mesma sensação que ela viveu correndo atrás de seus sonhos. Tipo Glee, sabe? É a primeira faixa do álbum, mas não nos diz muita coisa.

      2-      Blanke Space
O atual single de “1989” começa com um sitentizador bem seco. Antes de ouvirmos os vocais de Taylor parece que estamos prestes a ouvir uma música da Lorde, de tão fresco que soa. Passado o engano, nos deparamos com a genialidade da Taylor ao compor músicas. “Você parece o meu próximo erro, O amor é um jogo, quer brincar?”, diz ela, debochando de si mesma, conhecida por seus inúmeros namoros que não deram certo. A música toda é sobre um paquera em potencial para ocupar o seu “espaço em branco”. O glamour fica mesmo por Taylor brincar com sua história, pois a música em si, embora tenha potencial para grudar nas rádios, não soa como nada estrondoso, que nos fizesse ouvir novamente. Parece música da trilha sonora de filme bobo da Sessão da Tarde.
      
      3-       Harry Styles
Chegamos à música que foi, informalmente, associada ao ex de Taylor, Harry Styles. Aqui, a mocinha sussurra palavras que soam saudosistas em relação a um amor, a um estilo. Parece que Taylor, apesar de saber onde vai levá-la, não consegue se livrar desse cara, que a conhece tão bem. “Você tem aquele cabelo longo, jogado para trás e a camiseta branca”, diz ela, nos levando, imediatamente, à figura de Harry. Sendo ou não uma música para o 1D, a canção agrada muito e consegue apresentar uma evolução fluída, que tem seu ápice no refrão. Taylor, esquece “Blanke Space” e fica com “Style” como segundo single, tá?

      4-      Out of the Woods
Quarta música e já temos a nossa preferida do álbum! Quando lançou “Out of the Woods” como single promocional ficamos DES-MAI-A-DOS! Seguindo a mesma batida sintetizada oitentista das outras faixas, aqui Taylor chega fresca, viva e arrasadora! É impossível ouvir a música uma única vez, já que ela é tão boa. Na letra, Taylor leva-nos a um momento muito íntimo, em que está relembrando um grande amor, que a colocava em perigo. O refrão é simples, mas arrasador e os vocals que assumem a segunda parte são simplesmente encantadores. Conseguimos até imaginar o clipe todo em slow motion, acelerando no refrão. Favor reconsiderar como futuro single, Swift!

      5-      All You Had To do Was Stay
Aqui temos uma faixa que se aproxima muito com os trabalhos anteriores da loirinha teen. Com uma pegada leve e gostosa, Taylor desabafa dizendo ao boy magia que tudo que ele precisava ter feito era ficar ao lado dela. Uma canção extremamente agradável de se ouvir que deve dar um dos melhores desempenhos numa versão ao vivo.
   
      6-      Shake it off
Como já falamos dessa faixa lá em cima, vamos ao clipe do primeiro single. Em sua videografia, Taylor quase sempre apresenta histórias bobinhas e divertidas. Dessa vez não foi diferente. Ouvindo a música pela primeira vez, sem ver o clipe, você pensa “parece uma música de líder de torcida”. Bingo! É um vídeo genérico, sem nada empolgante, mas cumpre seu papel de ser divertido.

      7-      I Wish You Would
Metade da versão stand já foi e Taylor segue se lamentando por um amor perdido. “Gostaria que você voltasse, queria nunca ter desligado o telefone como fiz e gostaria que você soubesse que eu jamais te esquecerei enquanto for viva”, sussurra na música. Embora repetitiva dentro do próprio álbum, a faixa tem uma produção muito boa. A sonoridade é crescente e te ganha quando o refrão explode, com Taylor desejando seu amor ali perto.

      8-      Bad Blood
Chegamos a segunda faixa mais empolgante do disco. Taylor coloca toda sua raiva pra fora, mas de um jeito leve, por uma traição que sofreu. A música abre com o refrão cantado a capella, de modo que fique claro o sentimento puro e seco que Taylor está prestes a lançar. É aqui que nos lembramos da suposta rixa com Katy Perry por uma disputa de dançarinos. “Você tinha de estragar o que estava brilhando? Você teve que me bater onde eu sou fraca? Você achou que ficaria tudo bem? Ainda tenho cicatrizes nas minhas costas da sua faca”, desabafa a americana. Uma faixa extremamente viva e contagiante, provável single do álbum e que a gente já ama muito.

      9-      Wildest Dreams
A esta altura, Taylor desacelera o ritmo de “1989” e nos apresenta uma baladinha quase animada. Aqui, Taylor deseja ser lembrada por seu amor quando tudo passar. “Diga que se lembrará de mim, ali parada em um lindo vestido encarando o pôr-do-sol”, pede ela. A condensação da música, se abrindo no refrão, é fantástica! Taylor assume um falsete impecável e sedutor. Experimente ouvir a música de olhos fechados e imagine uma dança expressionista, bem ao estilo “Try”, da P!nk. Fantástico!

     10-   How You Get The Girl
Esta faixa não nos impressionou muito. Embora seja bem executada e tenha uma refrão que quebra o ritmo do resto da letra (de maneira positiva), parece que já ouvimos essa sonoridade, da própria Taylor, em algum momento da carreira dela. Não é uma faixa que consigamos desprezar, ao contrário, ela é boa, mas é só isso.

      11-   This Love
Assumindo um arranjo mais cru, aqui Taylor nos mostra toda sua dor na melhor letra do álbum. “This Love” é profunda no que se propõe e eficaz na sua propagação. Dá vontade de pegar a Taylor, colocar no colo e fazer um cafuné, pois acreditamos verdadeiramente na dor desse amor que ela sente. Toda vez que se ouve, você fica acuado e tem apenas vontade de dar play de novo. Obrigado, Taylor!

      12-   I Know places
Os três primeiros versos dessa faixa foram difíceis. Não conseguimos encontrar a identidade da Taylor até que ela solta um gritinho e explode com o refrão, muito bom por sinal. Depois de ouvir algumas vezes, imaginamos que a música se parece muito com a Miley Cyruse um feat. das duas nessa canção seria incrível. Sem isso, o “ai ai ai ai” do começo chega a ser um pouco irritante.
*A versão no piano, presente álbum D.L.X, é infinitamente melhor que a original*

      13-   Clean
Aqui já estamos loucos para ouvir um novo batidão que nos faça dançar, mas Taylor permanece nas baladinhas. Com a aproximação do fim do disco, Taylor parece começar a se desapegar do amor que narrou ao longo das faixas. A cantora utiliza do termo “estar limpa” para associar o seu amor a uma droga. “Dez meses sóbria, devo admitir, só porque você está limpa não quer dizer que não sente saudades. Dez meses mais velha, eu não me renderei, agora que estou limpa, jamais arriscarei”, entoa. É um trocadilho legal, mas talvez pela posição na tracklist a faixa não tenha um desempenho tão bom quanto mereça.

D.L.X

14- Wonderland
Nesta faixa, Taylor faz uma brincadeira chamando o seu relacionamento de “País das Maravilhas”, numa forma de ilustrar a ilusão de uma vida perfeita. O tempo todo a cantora traz elementos do conto, mostrando de forma interessante sua narrativa. É uma faixa bônus legal, mas não nos diz muito.
      
      15-   You Are In Love
O esfriamento de ritmo na versão stand torna difícil a audição da versão deluxe. Se ao invés de POP, essa música tivesse um arranjo country seria uma música muito mais interessante. Não é ruim, mas deixa a desejar visto tudo que já ouvimos anteriormente.
      
      16-   New Romantics
A última faixa inédita do “1989” tem a sonoridade mais oitentista de todo o CD. A princípio temos a sensação de estar ouvindo algo da Robyn, o que é maravilhoso. Mas logo Taylor assume sua identidade na canção de forma interessante. Na letra, Taylor fala dos novos românticos e como eles buscam a paixão pela vida. A faixa é simplesmente sedutora e ficamos nos perguntando por que razão não está na versão stand, no lugar de “I Know places”, por exemplo?
          
Depois de um longo passeio por “1989”, estamos cansados, mas com um sorriso na cara. Taylor fez o dever de casa muito bem ao estudar a sonoridade dos anos 80 e aplicá-la em seu álbum. É revigorante ouvir batidas secas e sintetizadas daquela década, mescladas com os vocais frescos de Taylor. O álbum pode entoar uma temática repetitiva, em alguns momentos nos preocupamos em saber que tudo que Taylor vive é sobre relacionamentos. Mas, mesmo assim, o material tem uma qualidade impecável e temos certeza que Taylor faria muito sucesso com suas músicas se vivesse na década de 80, assim como faz agora. São poucos os pontos fracos do álbum, como o fato de não mostrar risco explorando novas temáticas, mas o produto final agrada!

Nota: 76/100
Album review: Um passeio por "1989" Album review: Um passeio por "1989" Reviewed by Pedro Santos on sexta-feira, novembro 07, 2014 Rating: 5