Fake - Um romance gay para todos os públicos!

(imagem allison7potter.blogspot.com)

Quando me indicaram "Fake", confesso que não me empolguei muito. Comprei mais pela curiosidade, uma vez que me falaram muito bem do livro. Mas ao ler um pouco sobre a obra imaginei que seria mais um “A Culpa é das Estrelas”. E eu não poderia estar mais errado! Fake é o primeiro livro de Felipe Barenco, mas apesar de inexperiente em romances, temos em Fake um obra bastante madura em sua narrativa e não sentimos nele a falta de coragem que geralmente percebemos em um principiante. Talvez por ser uma produção independente, Barenco decide ousar e muitas vezes “chuta o balde”, gerando uma liberdade que nós, leitores, agradecemos.


Bom, vamos ao enredo: O livro começa bem. Numa linguagem simples, intimista e confessional que segue por quase todo o livro de forma fluida e linear. Somos Téo, um jovem gay que acabou de passar para faculdade de Direito e de conhecer Davi, um menino apaixonante, mas que a princípio não mantém contato com Téo. Quando Davi retorna na trama, Téo irá descobrir que há um grande segredo na vida do garoto, mas ainda assim, nosso protagonista decide encarar este romance. Como eu disse, parece como tantas outras histórias que já vimos por aí, e é então que Barenco nos surpreende. Se a linguagem é linear, o enredo está longe disso. Há inúmeras reviravoltas na história que irão mantê-la longe dos clichês. É como assistirmos a uma boa novela através de palavras. E os atores são excelentes!


Sim, cada personagem é fator essencial para o clima da história. Téo é o garoto que todos queriam ter como namorado: inteligente, carinhoso, apaixonado, culto e com um senso de humor refinadíssimo. É o típico “cara legal”. Davi também nos é apresentado como um cara para se apaixonar. É o garoto que dá vontade de pegar para cuidar. E os coadjuvantes são divertidíssimos: O melhor amigo de Téo, Thiago, é um ator em ascensão que está sempre de bom humor. É o tipo de amigo que faz qualquer coisa pra te animar. Faz piada para tudo, principalmente sobre sexo, e geralmente para implicar com Téo.  A tia Eleonora é fenomenal! Com uma mente bem aberta, ela é conselheira e amiga do sobrinho. Os pais de Téo é o ponto de conflito, pois não aceitam bem a orientação sexual do filho. E temos Guilherme, um colega de faculdade de Téo.

Mas não é o enredo e nem as personagens que eu destacaria como o ponto principal da obra, mas sim o talento do autor na forma de narrar. Os capítulos são curtos e repletos de referências do mundo POP. Cantoras pop são mencionadas, desenhos da nossa infância, filmes marcantes, redes sociais, séries de sucesso, gírias, memes da internet e até emoticons são usados para dar um tom jovem e atual ao livro. A linguagem usada é bem próxima da nossa fala cotidiana (inclusive os sotaques são respeitados) e esse artifício nos faz ler com a emoção que as personagens estão vivenciando no momento, e acredite, em determinados trechos você terá nojo da “voz” de alguns personagens, mesmo quando eles falam coisas doces.


 O livro em primeira pessoa nos dá a visão de Téo o tempo todo e isso não foi usado em vão. Vemos tudo sobre o ponto de vista do personagem e descobrimos tudo junto com ele, por isso sentimos suas paixões, seus medos e entendemos suas desconfianças. Entretanto, o livro pode terminar com muitos questionamentos, o que é ótimo! Muitos temas são abordados (alguns em momentos não muito convencionais, o que, confesso, me causou certo incômodo). O livro fala de homofobia, SIDA, sair do armário, ser independente... Mas nada disso é tratado de forma pesada ou maçante. Estes assuntos, apesar de terem certa importância no enredo, são apenas pano de fundo de uma história maior - Amadurecimento é o teor do livro Fake. Vivemos os momentos mais complexos da passagem de Téo para vida adulta e é isso que faz o livro tão contagiante.


Apesar de ser um romance gay, Fake vai muito além dos rótulos convencionais. Felipe Barenco nos deu um livro ideal para todos os público. Os mais jovens poderão compartilhar as experiências de Téo e o público mais velho se identificará com os conflitos do personagem, pois, de certa forma, todos já tivemos (ou teremos) algo de Téo em algum momento de nossa vida. É simplesmente um livro para aqueles que gosta de uma boa leitura. 

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Fake - Um romance gay para todos os públicos! Fake - Um romance gay para todos os públicos! Reviewed by Pedro Santos on segunda-feira, outubro 27, 2014 Rating: 5